
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Areté Educar - Aniversário 2 Anos
Postado por Silvia Costa às 19:24:00 0 comentários
Marcadores: Agenda, Areté Educar - Fundamentos
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Areté Educar - 100 Mil Visitas
Dedicação e reconhecimento
Blog Areté Educar atinge a marca de 100 mil visitas e segue com sua missão de contribuir para a formação integral dos cidadãos
É certo que a educação no Brasil ainda está longe de ser um exemplo mundial. Porém, com investimentos certos e despertando o interesse de todos para a importância da questão, é possível chegar lá. Para atingir esse objetivo, não é preciso muito, basta que cada um faça sua parte, com boa vontade e dedicação.
Prova disso é o reconhecimento do nosso esforço para colaborar com a educação no Brasil. Desde junho de 2007, cem mil cliques em nosso endereço virtual já foram dados no sentido de ampliar o conhecimento e a formação dos cidadãos brasileiros e, por que não dizer, dos cidadãos de todo o planeta. Hoje, o blog www.areteeducar.blogspot.com comemora 100 mil visitas e pode se orgulhar de conseguir cumprir sua missão: contribuir para o desenvolvimento de seus visitantes.
Com conteúdo diversificado, abrangendo desde educação e cidadania até eventos culturais, o Areté atinge os mais diversos públicos. São crianças que buscam dados para pesquisas escolares, jovens interessados em informações sobre eventos, adultos em busca de notícias sobre projetos e até alguns desavisados que descobrem a página por acaso. Todos eles encontram no Areté uma grande fonte de informação sobre temas que buscam contribuir para a formação integral do ser humano.
Não é fácil atingir um número tão grande de visitas quando se trata de um blog sobre educação. Sabemos que a Internet é recheada de páginas com conteúdo informativo e, infelizmente, o tema central do Areté ainda não é o mais procurado pela maioria dos internautas. Por isso, agradecemos a cada um dos que contribuíram para que chegássemos a esta marca antes mesmo de o blog completar dois anos de existência.
Daqui para frente, queremos seguir oferecendo um conteúdo educativo, interessante e atual para dar continuidade à nossa missão. Esperamos que o blog permaneça conscientizando os internautas sobre o papel da educação na formação dos cidadãos. Se a palavra areté pode ser traduzida como “virtude” e “excelência”, desejamos que todos vocês, visitantes, recebam informações de qualidade e possam se tornar cidadãos virtuosos e excelentes através da educação.
Natália Vilaça
nataliasgv@gmail.com
(31) 9195-8755
Blog Areté Educar atinge a marca de 100 mil visitas e segue com sua missão de contribuir para a formação integral dos cidadãos
É certo que a educação no Brasil ainda está longe de ser um exemplo mundial. Porém, com investimentos certos e despertando o interesse de todos para a importância da questão, é possível chegar lá. Para atingir esse objetivo, não é preciso muito, basta que cada um faça sua parte, com boa vontade e dedicação.
Prova disso é o reconhecimento do nosso esforço para colaborar com a educação no Brasil. Desde junho de 2007, cem mil cliques em nosso endereço virtual já foram dados no sentido de ampliar o conhecimento e a formação dos cidadãos brasileiros e, por que não dizer, dos cidadãos de todo o planeta. Hoje, o blog www.areteeducar.blogspot.com comemora 100 mil visitas e pode se orgulhar de conseguir cumprir sua missão: contribuir para o desenvolvimento de seus visitantes.
Com conteúdo diversificado, abrangendo desde educação e cidadania até eventos culturais, o Areté atinge os mais diversos públicos. São crianças que buscam dados para pesquisas escolares, jovens interessados em informações sobre eventos, adultos em busca de notícias sobre projetos e até alguns desavisados que descobrem a página por acaso. Todos eles encontram no Areté uma grande fonte de informação sobre temas que buscam contribuir para a formação integral do ser humano.
Não é fácil atingir um número tão grande de visitas quando se trata de um blog sobre educação. Sabemos que a Internet é recheada de páginas com conteúdo informativo e, infelizmente, o tema central do Areté ainda não é o mais procurado pela maioria dos internautas. Por isso, agradecemos a cada um dos que contribuíram para que chegássemos a esta marca antes mesmo de o blog completar dois anos de existência.
Daqui para frente, queremos seguir oferecendo um conteúdo educativo, interessante e atual para dar continuidade à nossa missão. Esperamos que o blog permaneça conscientizando os internautas sobre o papel da educação na formação dos cidadãos. Se a palavra areté pode ser traduzida como “virtude” e “excelência”, desejamos que todos vocês, visitantes, recebam informações de qualidade e possam se tornar cidadãos virtuosos e excelentes através da educação.
Natália Vilaça
nataliasgv@gmail.com
(31) 9195-8755
Postado por Silvia Costa às 21:04:00 0 comentários
Marcadores: Areté Educar - Fundamentos
quarta-feira, 4 de junho de 2008
PAIDEIA - A Educação Para A Virtude
PAIDEIA - A Educação Para A Virtude - Um Projeto Urgente Para o Brasil
Autor: Luiz Otavio de O Amaral [1]
A educação é uma função tão natural e universal da comunidade humana e tão auto-evidente, que tem exigido, por isso mesmo, muito tempo para ser plenamente compreendida, tanto pelos que a recebem, quanto pelos que a praticam. Daí , com efeito, a tardia literatura especifica e hoje a profusão de teorias, doutrinas e achismos acerca do tema. Já nos antigos gregos o conceito arete (cuja tradução para atualidade não é fácil) a virtude da tempera heróica, ética e da nobreza que caracterizava a bravura guerreira dos cavaleiros, eis talvez o primeiro conceito de educação, de formação do homem. O Homem vulgar, assim, não tem arete. A arete é, então, um atributo da excelência humana, a beleza de caráter que orienta a praxis (a ação cotidiana) humana para o bem, é enfim a unidade suprema de todas as excelências.
Em Homero (Ilíada e Odisséia) vamos encontrar este conceito helênico de formação do homem grego de então: “Hipóloco me gerou, a ele devo a minha origem. Quando me enviou a Tróia, advertiu-me insistentemente que lutasse sem cessar por alcançar o poder da mais alta virtude humana e sempre fosse, entre todos, o primeiro.” Eis aí o mais belo sentimento pedagógico da arete - o mais perfeito equilíbrio entre altivez e magnanimidade cujo troféu é a honra. Outra poética e emblemática passagem de Ilíada acerca dos fins da educação é quando o velho Fênix, educador do jovem Aquiles, herói-protótipo dos gregos, recorda-o o fim para o qual foi educado: “proferir palavras e realizar ações.” Como se vê, com razão Platão considerou Homero o educador de toda a Grécia. A paideia - estruturação da vida individual, assente em princípios de virtude absoluta, cultivo da perfeição humana - é o meio para se alcançar a arete. Com efeito, já houve tempo em que se considerava a paideia (mais ainda a agoge espartana) o mais alto fim do Estado (polis). Tudo na vida dos helênicos girava em torno do ideal da arete. As artes : a arete da tragédia, da comédia, da poesia, da música (Homero, Ésquilo, Sófocles, Simônides, Tirteu...); a filosofia, ou arete do saber (Sócrates, Platão...); os esportes/ginástica (arete da força física/ideal olímpico); a política (politeia=vida pública+vida privada, em Péricles, politeuma).
É com os sofistas que o conceito restrito de educação se amplia e se eleva até a mais alta arete humana, superando o simples conceito de “criação dos meninos” (em Sete contra Tebas, de Ésquilo) primeira referência ao conceito educação que já agora abarca o conjunto de todas as exigências ideais, físicas e espirituais que conduzem à formação humana mais ampla e consciente (humanitas, em Cícero; Bildung em alemão, algo como cultura superior). É bem expressivo, por outro lado, que Platão, Isócrates, Demóstenes, dentre outros, considerem o defeito especifico da retórica - a arte maior dos sofistas - o falar para agradar aos homens e não para atender o “bem eterno”, é corrupção do discurso (crise da arete retórica, a pseudo-paideia). Daí porque hoje, quando somos acometidos da síndrome moderna da avalanche teórica (de opiniões, achismos, que em certos casos não vão além do mero rebatizar de denominações) que sufoca a todos, é curial o crivo da condenação reiterada de Platão aos sofistas (inclusive Górgias de Leontini e Protágoras os maiores dentre os muitos sofistas da antigüidade clássica) : porque eles reduzem o conhecimento à opinião e o bem à utilidade, relativizando valores e princípios absolutos para a vida humana, não ostentam mais que “sapiência aparente” (isto foi depois, também, confirmado por Aristóteles).
Assim, toda e qualquer retórica cientifica descomprometida com sua efetividade, livre da necessidade probatória, nos leva a certo grau de desconfiança. A novidade superante é sempre uma necessidade da jornada humana, mas a natureza não dá saltos, e a imposição absoluta do novo só pela novidade é tolo desafio à natureza dialética daquele evoluir humano. Da educação nas sociedades primitivas, que visava apenas manter a imutabilidade sagrada das técnicas culturais, embora não se desconhecesse que nenhuma sociedade humana sobrevive sem que sua cultura seja transmitida de geração para geração - esta entrega (do Latim tradere) de cultura é a tradição - passou-se para a nova educação, nas sociedades ditas (mais) civilizada que incorporam, além daquela transmissão cultural, o dado novo do aperfeiçoamento e correção da tradição.
É que “todas as coisas mudam sempre sobre uma base que não muda nunca” (Ruy/1910). Assim, por exemplo, os conceitos de Direito (sempre o reto, o justo), de democracia (evoca sempre povo), de pedagogia (paidagogia, evoca sempre a idéia de condução, daí o escravo - o paidagogo - que conduzia pelas mãos a criança à escola, ao saber). Mudam as palavras, mas as coisas em si (ou seus conceitos) são as mesmas : educar é alterar a natureza humana, é tornar os homens melhores, enfim alcançar a arete é o propósito de nossa vida; a pedagogia sofista bem divisou isto. Há a virtude cívica (arete política) que é o fundamento do Estado; há a verdade como virtude essencial da ciência (episteme) e diria mais: de toda educação; há a virtude do indivíduo que é múltipla: a solidariedade, a eticidade, a justiça, além do adestramento/instrução técnico-profissional (parte não essencial da paideia autentica, que visa formar o homem na arete total). A virtude em Platão se decompunha em: justiça, prudência, piedade e valentia.
Antes de ser ciência autônoma, a pedagogia era parte integrante da ética ou da política e elaborada unicamente em atenção aos fins propostos pela ética e pela política ao homem, isto enquanto pensar filosófico especificamente pedagógico. Porém enquanto natureza prática/empírica a pedagogia referia-se ao primeiro e mais elementar adestramento da criança para a vida (privada e pública). Eis aqui o ponto crucial desta especulação: este viés prático/pragmático (hoje mais adestramento utilitarista) anulou a razão de ser (a arete total, a formação virtuosa do educando, adulto ou criança) da pedagogia e consequentemente da educação. Daí, as deformações nos quadros dirigentes da sociedade brasileira em especial, porquanto se a sociedade não mais devota dedicação absoluta aos valores/virtudes paradigmáticos (o bem por princípio e a vantagem por decorrência/premial) seus indivíduos só podem mesmo tolerar e pior, aspirar, também, pilhar o interesse público. Por que será que tantas “autoridades” têm sido ocasionalmente flagradas em desvirtudes, falhas e crimes infamantes ? A resposta até pode ser : por causa de arroubos de virtudes de algumas autoridades, cumulados com o interesse jornalístico/comercial da imprensa. Mas a resposta plena de verdade é que: estes casos só representam a ponta do iceberg, ou seja, há fora das vistas uma consciência permissiva cada vez maior no seio da sociedade.Já se vê mesmo um Estado marginal dentro do Estado oficial. O que se dirá das listas de homenageados, condecorados e premiados com os mais altos cargos públicos, listas essas repletas de indignidades “politicamente corretas (?!)”. Pesquisem-se tais listas e comprovar-se-à o quanto há de inversão moral. A propósito é bem atual a advertência de Platão: importa mais infundir à polis um ethos (o espírito ético) bom e não dotá-la dum amontoado de leis...
Com efeito, o Direito tem forte poder educativo. Por outro lado, a educação tem forte sabor jurídico (é pobre, senão paupérrima a educação que só ensina o fazer, o ter e despreza o ser : o ser justo, ser ético, o ser cidadão, o ser bom enfim). Reconhecer isso passa longe de eventuais disputas ou hegemonia profissionais, acadêmicas; eis é imperativo de sobrevivência e progresso social de um povo. Ontem já era assim, hoje, no entanto, é cada vez mais urgente tal compreensão estratégica.
Então faz-se urgente conciliar o amor pelo eu subjetivo (antítese do eu comunitário) com a totalidade do mundo circundante. O culto da alma individualizada com a consciência viva da comunidade, da cidade/estado, com a virtude cívica genérica de cada eu. Em suma trata-se de harmonizar os interesses privados/individuais com os interesses públicos/cívicos.Até porque são realidades de alta reciprocidade de interferência: um bom estado exige um bom cidadão e vice-versa, ou seja, um cidadão que saiba mandar e obedecer orientado pelo fundamento da justiça. Tudo isto é função da educação autentica, instrumentalizada pelo ensino das virtudes (ou melhor da virtude que é única, mas que apresenta porções ideais). Com efeito, foi a cultura ática a primeira a equilibrar as duas forças: o impulso criador do indivíduo e a energia unificadora da comunidade política. Nem o benfazejo apogeu da alma individualizada, do ente individual/pessoa humana que surge com o cristianismo, nem a radicalização individualista do liberalismo (e pior ainda do neoliberalismo) devem tolher a vocação, conquanto essencial hoje bastante minimizada, da educação enquanto ensino ético-político, verdadeiro eixo de sustentação da formação integral do homem contemporâneo, máxime do brasileiro. A formação ética e política são, assim, parte essencial da verdadeira paideia, da educação autentica. Daí porque Tucídedes disse: “chamo à nossa cidade a alta escola da cultura da Hélade”. Como se vê, o Estado é, ou deveria ser, a mais alta escola da cultura plena e a vida privada a propaideia (base/preparatória da paideia) da vida pública (da paideia política).
A formação do caráter, na perspectiva da arrete total, da perfeição humana, deve ser levada a efeito desde cedo, como uma hodierna propaideia; educar a todos para serem dignos do trono real. Já que temos de viver inexoravelmente em sociedade e organizada minimamente, é então indispensável, que desenvolvamos as virtudes públicas/cívicas (civita/polis=Estado), o “estado dentro de nós”, como pregava Platão (Rep.).Todavia a sementeira desta paideia contemporânea só pode frutificar em regime de tempo integral e desde a primeira infância até o último suspiro, eis que a educação plena jamais se completa, senão a vida. A perfeição humana, a educação total (arete total) é sempre, uma fórmula de eterna procura, tal como a justiça, a democracia, objetos de desejo jamais alcançáveis enquanto resultado absolutamente conclusivo ou terminativo.
Ensinar pressupõe a crença de que mudanças são possíveis, de que o discurso da acomodação não melhora as dores do mundo; daí porque o ato de ensinar é constante exercício da faculdade humana de criticar. É preciso criticar, discutir, mudar, enfim não parar de buscar a razão de ser de nossa ação educativa, este é o problema fundamental de toda educação: o educando na perspectiva do estadista e este na perspectiva do pedagogo; vale dizer: a meta-exemplo e o projeto consciente de seu melhor fim. É educação em sentido mais alto, mais que mero adestramento para o fazer, ou para o ter. É, pois, educação no sentido ético, como supremo bem e suma felicidade humana, o bom e o belo a serviço da formação do homem. Segue-se que uma escola, sobretudo a universitária, muda e passiva, já não merece tal denominação, senão a de túmulo do progresso humano. Como nossa atual educação (em todos os níveis da sedimentação educativa) tem reagido ao patético quadro social (interferente no individual, é claro) que nos envolve ? Ou na base do “salve-se quem puder” (bem ou mal dissimulado: p. ex. “não nos envolvemos em política/cuidamos apenas de formar profissionais”); ou “fazemos o que é possível” (p.ex. trouxemos um político/um filme p/discussão, temos uma disciplina especifica...). Ora, o Brasil dos excluídos, da violência e corrupção generalizada, da dissolução cultural..., mais do que episódicas preocupações ou campanhas pontuais, esta a exigir de nossa educação em geral um constante exercício da reflexão ético-social perpassando todos os momentos da vida e na perspectiva da educação total e permanente, cuja iniciação se dá na escola que é, nada mais nada menos, o espaço inicialmente mais propício nesta paideia total. O grande educador Paulo Freire educa-nos ao proclamar: “estou convencido da natureza ética da prática educativa”; mas, por certo, da ética universal, não da “ética do mercado”. (Out.1999).
[1] Luiz Otavio de Oliveira Amaral é advogado militante, ex-professor Direito na UnB e UDF. Ex-Diretor de Faculdade de Direito em Brasília. Atualmente leciona e é coordenador pedagógico da Fac, de Direito da Universidade Católica de Brasília-UCB. Foi assessor de Ministros da Justiça e da Desburocratizarão/P.Rep. Autor de “Relações de Consumo” (4 v.); “O Cidadão e Consumidor” (co-autor); “Comentários ao Código Defesa do Consumidor, coord. Prof. Cretela Júnior (Ed.Forense) e “Legislação do Advogado”, MJ, 1985. Possui ainda outras obras e artigos publicados (Direito, Educação e Ética... ) (lamaral@conectanet.com.br)
Autor: Luiz Otavio de O Amaral
Advogado militante e professor da Fac. Direito /UCB
(Primeiro Executivo federal do Direito do Consumidor,Inclusive quando da elaboração do CDC e representante brasileiro nas rodadas de discussão nas Nações Unidas. Autor de livros/monografias na área do Direito do Consumidor, publicados no Brasil e no exterior.)
Fonte: http://www.advogado.adv.br/artigos/2001/luizamaral/paideia.htm
Autor: Luiz Otavio de O Amaral [1]
A educação é uma função tão natural e universal da comunidade humana e tão auto-evidente, que tem exigido, por isso mesmo, muito tempo para ser plenamente compreendida, tanto pelos que a recebem, quanto pelos que a praticam. Daí , com efeito, a tardia literatura especifica e hoje a profusão de teorias, doutrinas e achismos acerca do tema. Já nos antigos gregos o conceito arete (cuja tradução para atualidade não é fácil) a virtude da tempera heróica, ética e da nobreza que caracterizava a bravura guerreira dos cavaleiros, eis talvez o primeiro conceito de educação, de formação do homem. O Homem vulgar, assim, não tem arete. A arete é, então, um atributo da excelência humana, a beleza de caráter que orienta a praxis (a ação cotidiana) humana para o bem, é enfim a unidade suprema de todas as excelências.
Em Homero (Ilíada e Odisséia) vamos encontrar este conceito helênico de formação do homem grego de então: “Hipóloco me gerou, a ele devo a minha origem. Quando me enviou a Tróia, advertiu-me insistentemente que lutasse sem cessar por alcançar o poder da mais alta virtude humana e sempre fosse, entre todos, o primeiro.” Eis aí o mais belo sentimento pedagógico da arete - o mais perfeito equilíbrio entre altivez e magnanimidade cujo troféu é a honra. Outra poética e emblemática passagem de Ilíada acerca dos fins da educação é quando o velho Fênix, educador do jovem Aquiles, herói-protótipo dos gregos, recorda-o o fim para o qual foi educado: “proferir palavras e realizar ações.” Como se vê, com razão Platão considerou Homero o educador de toda a Grécia. A paideia - estruturação da vida individual, assente em princípios de virtude absoluta, cultivo da perfeição humana - é o meio para se alcançar a arete. Com efeito, já houve tempo em que se considerava a paideia (mais ainda a agoge espartana) o mais alto fim do Estado (polis). Tudo na vida dos helênicos girava em torno do ideal da arete. As artes : a arete da tragédia, da comédia, da poesia, da música (Homero, Ésquilo, Sófocles, Simônides, Tirteu...); a filosofia, ou arete do saber (Sócrates, Platão...); os esportes/ginástica (arete da força física/ideal olímpico); a política (politeia=vida pública+vida privada, em Péricles, politeuma).
É com os sofistas que o conceito restrito de educação se amplia e se eleva até a mais alta arete humana, superando o simples conceito de “criação dos meninos” (em Sete contra Tebas, de Ésquilo) primeira referência ao conceito educação que já agora abarca o conjunto de todas as exigências ideais, físicas e espirituais que conduzem à formação humana mais ampla e consciente (humanitas, em Cícero; Bildung em alemão, algo como cultura superior). É bem expressivo, por outro lado, que Platão, Isócrates, Demóstenes, dentre outros, considerem o defeito especifico da retórica - a arte maior dos sofistas - o falar para agradar aos homens e não para atender o “bem eterno”, é corrupção do discurso (crise da arete retórica, a pseudo-paideia). Daí porque hoje, quando somos acometidos da síndrome moderna da avalanche teórica (de opiniões, achismos, que em certos casos não vão além do mero rebatizar de denominações) que sufoca a todos, é curial o crivo da condenação reiterada de Platão aos sofistas (inclusive Górgias de Leontini e Protágoras os maiores dentre os muitos sofistas da antigüidade clássica) : porque eles reduzem o conhecimento à opinião e o bem à utilidade, relativizando valores e princípios absolutos para a vida humana, não ostentam mais que “sapiência aparente” (isto foi depois, também, confirmado por Aristóteles).
Assim, toda e qualquer retórica cientifica descomprometida com sua efetividade, livre da necessidade probatória, nos leva a certo grau de desconfiança. A novidade superante é sempre uma necessidade da jornada humana, mas a natureza não dá saltos, e a imposição absoluta do novo só pela novidade é tolo desafio à natureza dialética daquele evoluir humano. Da educação nas sociedades primitivas, que visava apenas manter a imutabilidade sagrada das técnicas culturais, embora não se desconhecesse que nenhuma sociedade humana sobrevive sem que sua cultura seja transmitida de geração para geração - esta entrega (do Latim tradere) de cultura é a tradição - passou-se para a nova educação, nas sociedades ditas (mais) civilizada que incorporam, além daquela transmissão cultural, o dado novo do aperfeiçoamento e correção da tradição.
É que “todas as coisas mudam sempre sobre uma base que não muda nunca” (Ruy/1910). Assim, por exemplo, os conceitos de Direito (sempre o reto, o justo), de democracia (evoca sempre povo), de pedagogia (paidagogia, evoca sempre a idéia de condução, daí o escravo - o paidagogo - que conduzia pelas mãos a criança à escola, ao saber). Mudam as palavras, mas as coisas em si (ou seus conceitos) são as mesmas : educar é alterar a natureza humana, é tornar os homens melhores, enfim alcançar a arete é o propósito de nossa vida; a pedagogia sofista bem divisou isto. Há a virtude cívica (arete política) que é o fundamento do Estado; há a verdade como virtude essencial da ciência (episteme) e diria mais: de toda educação; há a virtude do indivíduo que é múltipla: a solidariedade, a eticidade, a justiça, além do adestramento/instrução técnico-profissional (parte não essencial da paideia autentica, que visa formar o homem na arete total). A virtude em Platão se decompunha em: justiça, prudência, piedade e valentia.
Antes de ser ciência autônoma, a pedagogia era parte integrante da ética ou da política e elaborada unicamente em atenção aos fins propostos pela ética e pela política ao homem, isto enquanto pensar filosófico especificamente pedagógico. Porém enquanto natureza prática/empírica a pedagogia referia-se ao primeiro e mais elementar adestramento da criança para a vida (privada e pública). Eis aqui o ponto crucial desta especulação: este viés prático/pragmático (hoje mais adestramento utilitarista) anulou a razão de ser (a arete total, a formação virtuosa do educando, adulto ou criança) da pedagogia e consequentemente da educação. Daí, as deformações nos quadros dirigentes da sociedade brasileira em especial, porquanto se a sociedade não mais devota dedicação absoluta aos valores/virtudes paradigmáticos (o bem por princípio e a vantagem por decorrência/premial) seus indivíduos só podem mesmo tolerar e pior, aspirar, também, pilhar o interesse público. Por que será que tantas “autoridades” têm sido ocasionalmente flagradas em desvirtudes, falhas e crimes infamantes ? A resposta até pode ser : por causa de arroubos de virtudes de algumas autoridades, cumulados com o interesse jornalístico/comercial da imprensa. Mas a resposta plena de verdade é que: estes casos só representam a ponta do iceberg, ou seja, há fora das vistas uma consciência permissiva cada vez maior no seio da sociedade.Já se vê mesmo um Estado marginal dentro do Estado oficial. O que se dirá das listas de homenageados, condecorados e premiados com os mais altos cargos públicos, listas essas repletas de indignidades “politicamente corretas (?!)”. Pesquisem-se tais listas e comprovar-se-à o quanto há de inversão moral. A propósito é bem atual a advertência de Platão: importa mais infundir à polis um ethos (o espírito ético) bom e não dotá-la dum amontoado de leis...
Com efeito, o Direito tem forte poder educativo. Por outro lado, a educação tem forte sabor jurídico (é pobre, senão paupérrima a educação que só ensina o fazer, o ter e despreza o ser : o ser justo, ser ético, o ser cidadão, o ser bom enfim). Reconhecer isso passa longe de eventuais disputas ou hegemonia profissionais, acadêmicas; eis é imperativo de sobrevivência e progresso social de um povo. Ontem já era assim, hoje, no entanto, é cada vez mais urgente tal compreensão estratégica.
Então faz-se urgente conciliar o amor pelo eu subjetivo (antítese do eu comunitário) com a totalidade do mundo circundante. O culto da alma individualizada com a consciência viva da comunidade, da cidade/estado, com a virtude cívica genérica de cada eu. Em suma trata-se de harmonizar os interesses privados/individuais com os interesses públicos/cívicos.Até porque são realidades de alta reciprocidade de interferência: um bom estado exige um bom cidadão e vice-versa, ou seja, um cidadão que saiba mandar e obedecer orientado pelo fundamento da justiça. Tudo isto é função da educação autentica, instrumentalizada pelo ensino das virtudes (ou melhor da virtude que é única, mas que apresenta porções ideais). Com efeito, foi a cultura ática a primeira a equilibrar as duas forças: o impulso criador do indivíduo e a energia unificadora da comunidade política. Nem o benfazejo apogeu da alma individualizada, do ente individual/pessoa humana que surge com o cristianismo, nem a radicalização individualista do liberalismo (e pior ainda do neoliberalismo) devem tolher a vocação, conquanto essencial hoje bastante minimizada, da educação enquanto ensino ético-político, verdadeiro eixo de sustentação da formação integral do homem contemporâneo, máxime do brasileiro. A formação ética e política são, assim, parte essencial da verdadeira paideia, da educação autentica. Daí porque Tucídedes disse: “chamo à nossa cidade a alta escola da cultura da Hélade”. Como se vê, o Estado é, ou deveria ser, a mais alta escola da cultura plena e a vida privada a propaideia (base/preparatória da paideia) da vida pública (da paideia política).
A formação do caráter, na perspectiva da arrete total, da perfeição humana, deve ser levada a efeito desde cedo, como uma hodierna propaideia; educar a todos para serem dignos do trono real. Já que temos de viver inexoravelmente em sociedade e organizada minimamente, é então indispensável, que desenvolvamos as virtudes públicas/cívicas (civita/polis=Estado), o “estado dentro de nós”, como pregava Platão (Rep.).Todavia a sementeira desta paideia contemporânea só pode frutificar em regime de tempo integral e desde a primeira infância até o último suspiro, eis que a educação plena jamais se completa, senão a vida. A perfeição humana, a educação total (arete total) é sempre, uma fórmula de eterna procura, tal como a justiça, a democracia, objetos de desejo jamais alcançáveis enquanto resultado absolutamente conclusivo ou terminativo.
Ensinar pressupõe a crença de que mudanças são possíveis, de que o discurso da acomodação não melhora as dores do mundo; daí porque o ato de ensinar é constante exercício da faculdade humana de criticar. É preciso criticar, discutir, mudar, enfim não parar de buscar a razão de ser de nossa ação educativa, este é o problema fundamental de toda educação: o educando na perspectiva do estadista e este na perspectiva do pedagogo; vale dizer: a meta-exemplo e o projeto consciente de seu melhor fim. É educação em sentido mais alto, mais que mero adestramento para o fazer, ou para o ter. É, pois, educação no sentido ético, como supremo bem e suma felicidade humana, o bom e o belo a serviço da formação do homem. Segue-se que uma escola, sobretudo a universitária, muda e passiva, já não merece tal denominação, senão a de túmulo do progresso humano. Como nossa atual educação (em todos os níveis da sedimentação educativa) tem reagido ao patético quadro social (interferente no individual, é claro) que nos envolve ? Ou na base do “salve-se quem puder” (bem ou mal dissimulado: p. ex. “não nos envolvemos em política/cuidamos apenas de formar profissionais”); ou “fazemos o que é possível” (p.ex. trouxemos um político/um filme p/discussão, temos uma disciplina especifica...). Ora, o Brasil dos excluídos, da violência e corrupção generalizada, da dissolução cultural..., mais do que episódicas preocupações ou campanhas pontuais, esta a exigir de nossa educação em geral um constante exercício da reflexão ético-social perpassando todos os momentos da vida e na perspectiva da educação total e permanente, cuja iniciação se dá na escola que é, nada mais nada menos, o espaço inicialmente mais propício nesta paideia total. O grande educador Paulo Freire educa-nos ao proclamar: “estou convencido da natureza ética da prática educativa”; mas, por certo, da ética universal, não da “ética do mercado”. (Out.1999).
[1] Luiz Otavio de Oliveira Amaral é advogado militante, ex-professor Direito na UnB e UDF. Ex-Diretor de Faculdade de Direito em Brasília. Atualmente leciona e é coordenador pedagógico da Fac, de Direito da Universidade Católica de Brasília-UCB. Foi assessor de Ministros da Justiça e da Desburocratizarão/P.Rep. Autor de “Relações de Consumo” (4 v.); “O Cidadão e Consumidor” (co-autor); “Comentários ao Código Defesa do Consumidor, coord. Prof. Cretela Júnior (Ed.Forense) e “Legislação do Advogado”, MJ, 1985. Possui ainda outras obras e artigos publicados (Direito, Educação e Ética... ) (lamaral@conectanet.com.br)
Autor: Luiz Otavio de O Amaral
Advogado militante e professor da Fac. Direito /UCB
(Primeiro Executivo federal do Direito do Consumidor,Inclusive quando da elaboração do CDC e representante brasileiro nas rodadas de discussão nas Nações Unidas. Autor de livros/monografias na área do Direito do Consumidor, publicados no Brasil e no exterior.)
Fonte: http://www.advogado.adv.br/artigos/2001/luizamaral/paideia.htm
Postado por Silvia Costa às 18:27:00 0 comentários
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domingo, 15 de julho de 2007
A Areté
A Areté
"A virtude (areté) não vem da riqueza, mas sim a riqueza da virtude, bem como tudo o que é bom para o homem, na vida particular ou na vida pública" (Platão, Cit. In Cordón & Martinez, 1995: pág.110).
Se queremos encontrar um fio condutor que nos guie ao longo da história da educação grega e que lhe dê unidade, encontramo-lo no conceito de areté, tema essencial da história da educação grega, que remonta aos tempos mais antigos.
É este o conceito que exprime a forma primeira do ideal educativo grego. Não é por acaso que, nas grandes discussões sobre educação que o séc. V a.C. conhece, os dois conceitos - Paideia e areté - estão sempre presentes.
O tema da areté é um tema central à volta do qual gira toda a discussão acerca da questão educativa. Isto porque educar é, em última análise, tornar o homem melhor, aperfeiçoá-lo, torná-lo mais virtuoso.
Em Homero, na Ilíada e na Odisseia, a areté aparece pela primeira vez de uma forma bastante explícita. Em ambos os casos, a areté não é algo que seja dado mas sim conquistado e conscientemente procurado. No entanto, se bem que o ideal homérico de homem - o herói - seja definido pela areté, o modo de a conceber nas duas grandes obras de Homero não é igual.
Na Ilíada, existem muitas personagens heróicas. Do lado dos Aqueus: Agamémnon, Ájax, Pátrocles, Diomedes, Menelau, Nestor, Ulisses. Do lado dos troianos: Heitor, Páris, Príamo, Hécuba e Andrómaca. Mas, é claro que Aquiles é, de todas, a que tem mais realce. Ele é o herói modelo, nobre, valente e corajoso. É o melhor entre todos... é o aristós.
De facto, Aquiles encarna a areté e é na sua figura que se concretiza esse ideal Para além do guerreiro valoroso, valente, corajoso e honrado, Aquiles é o protótipo do cavaleiro perfeito da época homérica, cortês, de boas maneiras, fino e delicado..
A areté é uma superioridade ou uma excelência própria da nobreza, um conjunto de qualidades físicas, espirituais e morais tais como a bravura, a coragem, a força, a destreza do guerreiro, a eloquência e a persuasão e, acima de tudo, a heroicidade, entendida como a fusão da força física com o sentido moral.
Mas, se é em Aquiles que melhor se realiza este ideal, é evidente que ele não chega lá espontaneamente, pressupondo-se uma educação apropriada. É dessa educação que Homero nos fala no canto IX, pondo na boca de Félix, velho preceptor e educador de Aquiles, as seguintes palavras: "Fui eu que fiz de ti o que és!"
Na Odisseia, o ideal da areté é mais alargado. A Odisseia relata o regresso do herói (o Ulisses) a casa, vindo da guerra de Tróia. Ulisses junta à força, à coragem, à bravura e à eloquência de Apolo, a astúcia, a manha, o engenho e a inteligência que lhe permitem desenvencilhar-se das situações mais complexas nas aventuras do regresso. E, mais uma vez, estas qualidades incutem-se e desenvolvem-se apenas pela educação.
Quer na Ilíada, quer na Odisseia, a educação tem por meio uma pedagogia fundada no exemplo vivo ou no exemplo mítico. O herói institui-se como modelo exemplar. Os jovens sabem que devem imitar os heróis e, como eles, conquistar a areté.
Fonte:
Se queremos encontrar um fio condutor que nos guie ao longo da história da educação grega e que lhe dê unidade, encontramo-lo no conceito de areté, tema essencial da história da educação grega, que remonta aos tempos mais antigos.
É este o conceito que exprime a forma primeira do ideal educativo grego. Não é por acaso que, nas grandes discussões sobre educação que o séc. V a.C. conhece, os dois conceitos - Paideia e areté - estão sempre presentes.
O tema da areté é um tema central à volta do qual gira toda a discussão acerca da questão educativa. Isto porque educar é, em última análise, tornar o homem melhor, aperfeiçoá-lo, torná-lo mais virtuoso.
Em Homero, na Ilíada e na Odisseia, a areté aparece pela primeira vez de uma forma bastante explícita. Em ambos os casos, a areté não é algo que seja dado mas sim conquistado e conscientemente procurado. No entanto, se bem que o ideal homérico de homem - o herói - seja definido pela areté, o modo de a conceber nas duas grandes obras de Homero não é igual.
Na Ilíada, existem muitas personagens heróicas. Do lado dos Aqueus: Agamémnon, Ájax, Pátrocles, Diomedes, Menelau, Nestor, Ulisses. Do lado dos troianos: Heitor, Páris, Príamo, Hécuba e Andrómaca. Mas, é claro que Aquiles é, de todas, a que tem mais realce. Ele é o herói modelo, nobre, valente e corajoso. É o melhor entre todos... é o aristós.De facto, Aquiles encarna a areté e é na sua figura que se concretiza esse ideal Para além do guerreiro valoroso, valente, corajoso e honrado, Aquiles é o protótipo do cavaleiro perfeito da época homérica, cortês, de boas maneiras, fino e delicado..

A areté é uma superioridade ou uma excelência própria da nobreza, um conjunto de qualidades físicas, espirituais e morais tais como a bravura, a coragem, a força, a destreza do guerreiro, a eloquência e a persuasão e, acima de tudo, a heroicidade, entendida como a fusão da força física com o sentido moral.
Mas, se é em Aquiles que melhor se realiza este ideal, é evidente que ele não chega lá espontaneamente, pressupondo-se uma educação apropriada. É dessa educação que Homero nos fala no canto IX, pondo na boca de Félix, velho preceptor e educador de Aquiles, as seguintes palavras: "Fui eu que fiz de ti o que és!"
Na Odisseia, o ideal da areté é mais alargado. A Odisseia relata o regresso do herói (o Ulisses) a casa, vindo da guerra de Tróia. Ulisses junta à força, à coragem, à bravura e à eloquência de Apolo, a astúcia, a manha, o engenho e a inteligência que lhe permitem desenvencilhar-se das situações mais complexas nas aventuras do regresso. E, mais uma vez, estas qualidades incutem-se e desenvolvem-se apenas pela educação.
Quer na Ilíada, quer na Odisseia, a educação tem por meio uma pedagogia fundada no exemplo vivo ou no exemplo mítico. O herói institui-se como modelo exemplar. Os jovens sabem que devem imitar os heróis e, como eles, conquistar a areté.
Fonte:
Postado por Silvia Costa às 18:49:00 0 comentários
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domingo, 17 de junho de 2007
Fundamentos do Areté Educar
Gildázio Santos
A palavra Areté, mexe com meu interior desde os tempos de graduação em filosofia, juntamente com a palavra gerere, que significa movimento.
Areté, ficou guardada em meu estacionamento, durante quase 10 anos, eu sempre quis servir-me da Areté para expressar algo que viesse de dentro de meu ser, e expressasse um jeito de existir no mundo.
Sempre tive a vontade, de associar essa palavra com a missão de vida, a mim confiada aqui na terra, esse conceito forte, capaz de ser síntese das ações que desenvolvo, dos sonhos e crenças que alimento a cada dia, as poucos conduziu-me para o que aqui se apresentará.
A palavra educar serve de complemento da primeira, embora talvez não fosse necessário. Decidi depois de muita reflexão criar em um primeiro momento um Blog com esse título: Areté Educar, contei com a colaboração de um Artigo de Gilda Naécia Maciel de Barros, que faço questão de citar a introdução integral a seguir:
A palavra Areté, mexe com meu interior desde os tempos de graduação em filosofia, juntamente com a palavra gerere, que significa movimento.
Areté, ficou guardada em meu estacionamento, durante quase 10 anos, eu sempre quis servir-me da Areté para expressar algo que viesse de dentro de meu ser, e expressasse um jeito de existir no mundo.
Sempre tive a vontade, de associar essa palavra com a missão de vida, a mim confiada aqui na terra, esse conceito forte, capaz de ser síntese das ações que desenvolvo, dos sonhos e crenças que alimento a cada dia, as poucos conduziu-me para o que aqui se apresentará.
A palavra educar serve de complemento da primeira, embora talvez não fosse necessário. Decidi depois de muita reflexão criar em um primeiro momento um Blog com esse título: Areté Educar, contei com a colaboração de um Artigo de Gilda Naécia Maciel de Barros, que faço questão de citar a introdução integral a seguir:
“Quando tratamos de cultura grega e educação, invariavelmente observamos que é impossível considerar os ideais de formação humana entre os gregos da antiguidade sem referir um conceito da mais alta importância para eles - areté (h( a)reth/). A razão disso veremos a seguir.
Por que tratar de areté quando devíamos tratar de educação? Para entender essa atitude é preciso considerar com os antigos empregavam esses termos.
A palavra educação é de origem latina. O substantivo é feminino e assim se enuncia: educatio, onis. Implica, primariamente, a ação de criar e se aplica tanto a animais como a plantas, o que pode ser conferido em Cícero, de Finibus 5, 39 e em Pro Sex. Roscio Amerino 63. Também em Cícero, de Oratore 3, 124 e em de Legibus 3, 30 encontramos o sentido que usualmente lhe damos, em nosso campo: instrução, formação do espírito.
O próprio verbo educo, aui, atum, are significa criar, nutrir, cuidar de, tratar (pode ser de animais), formar, instruir, produzir. Para se compreender a abrangência da idéia, diz-se, em linguagem poética, quando se quer referir o que a terra produz, faz crescer: quod terra educat. [1] A palavra grega que poderia aspirar à equivalência relativamente à palavra latina educação é paideia (h( paide/ia, aj), etimologicamente presa a pais, paidós (o(, h( pai=j, paido/j), que significa, pura e simplesmente,criança. Já o verbo paideúo (paideu/w - paideu/sw,, e)pai/deusa, pepai/deuka) se traduz por criar, instruir, formar e também se aplica a animais com o sentido de criar, formar. [2] Werner Jaeger lembra que a palavra paideia só aparece no século V a.C., e dá como registro mais antigo, dele conhecido, o passo 18 de Sete contra Tebas, de Ésquilo[3],onde, a seu ver, a palavra tem o mesmo sentido de trophé (h) Qrofh/, h=j). Na verdade, no início do século V a palavra tinha o simples significado de "criação de meninos". Mas é ainda Werner Jaeger quem adverte: o melhor fio condutor para se estudar a educação grega em suas origens não é a palavra paideia: mais importante do que ela é a palavra areté! [4] Por sua vez, tratando da educação grega no período helenístico, portanto a partir de fins do século III a.C., Marrou lembra que os primeiros sete anos de vida da criança são designados por (ana) trophé ( [a)na] trofh/), que se traduz por criação , período em que a criança é alimentada em casa, entregue aos cuidados da mãe, em primeiro lugar, e, depois, na família de posses, à aia (trofo/j), escrava ou liberta, que não se confunde com a ama-de-leite. Na opinião de Marrou, paideia propriamente dita refere-se ao período que se inicia após os sete primeiros anos, quando a criança éenviada às escolas. [5] Aliás, o primeiro sentido do verbo trepho (tre/fw) é tornar compacto, engrossar, nutrir, criar e, por extensão, instruir, aplicando-se, com o sentido originário, a animais e plantas.
É muito comum traduzir-se a palavra areté por virtude e o seu plural, aretai, por virtudes. No entanto, isso pode induzir a se pensar que o sentido original de areté é de natureza ética.
Ora, esse não é o sentido original exclusivo nem de areté, que melhor se traduziria por excelência, nem de uirtus, que se costuma traduzir por virtude.
A palavra areté(h( a)reth/, h=j) desígna o mérito ou qualidade pelo qual algo ou alguém se mostra excelente. Esta qualidade pode referir-se ao corpo e aplicar-se a coisas, como terra, vasos, móveis; pode referir-se à alma. Pode ter o sentido particular de coragem ou atos de coragem ou o sentido moral de virtude. [6] A ela se prende aristós (a)risto/j, h/, o/n), superlativo de agathós (a)gaqo/j, h/, o/n).
Ambas as palavras podem ser usadas no mesmo contexto e para a mesma finalidade.
Agathós, palavra extremamante importante para a história da educação grega, pode designar o nobre, o aristocrata, mas, também, o homem de valor, o que tem coragem.
Traduzir agathós por bom pode levar à confusão: o sentido básico não é moral. Na poesia heróica, é adequado dizer-se de um homem que ele é agathós se ele tem valor. Valor, aqui, especificado a cada passo, ou referido à coragem guerreira, ou a uma certa habilidade.
No livro I da República Platão introduz algumas reflexões acerca do conceito de areté. É verdade que ela vai direcioná-las para o objetivo principal que tem em mente, qual seja, discutir a idéia de justiça: sua natureza, se é vício e ignorância ou sabedoria e virtude; se é mais vantajosa a injustiça do que a justiça. Mas é interessante que, aí, a idéia de areté vem associada a uma outra, também importante, que é a idéia de érgon, que se pode entender por função.
Platão parte da verificação de que cada coisa tem sua função (Rep. 353 a) e uma areté própria a preencher.(Rep. 353 b) Vejamos o exemplo referente ao cavalo. Como qualquer outro animal, ele tem uma função (érgon) que lhe é própria. Que função é essa? Aquela que apenas ele pode fazer, ou, pelo menos, que apenas ele pode fazer do modo mais perfeito (árista). A saber, mostrar força, velocidade, firmeza na batalha etc. (...)”
Recorri, a Grécia antiga para dar nome ao Blog que será espaço de construção, conexões, diálogos entre os diversos temas e pessoas, no dia a dia e sempre, convido cada um e cada uma a mergulhar nesta casa que construiremos a cada dia como o ser humano que se transforma constantemente pela educação.
É Areté Educar, porque segundo Gilda Naécia Maciel de Barros, em sua conclusão: “os gregos perceberam que o homem é educável. Porque modificável. E entenderam essa modificabilidade como um projeto rumo à perfeição.
A essa perfeição chamaram areté, à qual deram, a cada tempo, uma forma humana, que consideraram ideal porque excelente.
Estudando os gregos, mais uma vez percebemos a historicidade dos ideais educativos, que o homem pensa sempre como perenes, mas que se revelam transitórios, no fluxo da vida e no curso transformador dos acontecimentos”.
Fonte:
BARROS, Gilda Naécia Maciel de; Areté e Cultura Grega Antiga - Pontos e Contrapontos;
http://www.hottopos.com/videtur16/gilda.htm#_ftn3#_ftn3
Postado por Silvia Costa às 15:12:00 0 comentários
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