sábado, 12 de março de 2011

O Valor da Filosofia

O Valor da Filosofia

Bertrand Russell

Tendo agora chegado ao término de nossa breve e incompletíssima revisão dos problemas da filosofia, será conveniente considerar, para concluir, qual é o valor da filosofia e por que ela deve ser estudada. É da maior importância considerar esta questão, em vista do fato de que muitos homens, sob a influência da ciência e dos negócios práticos, propendem a duvidar se a filosofia é algo melhor que inocente mas inútil passatempo, com distinções sutis e controvérsias sobre questões em que o conhecimento é impossível.

Esta visão da filosofia parece resultar, em parte, de uma concepção errada dos fins da vida humana e em parte de uma concepção errada sobre o tipo de bens que a filosofia empenha-se em buscar. As ciências físicas, por meio de invenções, é útil para inumeráveis pessoas que a ignoram completamente; e por isso o estudo das ciências físicas é recomendável não somente, ou principalmente, por causa dos efeitos sobre os estudantes, mas antes por causa dos efeitos sobre a humanidade em geral. É esta utilidade que faz parte da filosofia. Se o estudo de filosofia tem algum valor para outras pessoas além de para os estudantes de filosofia, deve ser somente indiretamente, através de seus efeitos sobre as vidas daqueles que a estudam. Portanto, é em seus efeitos, se é que ela tem algum, que se deve procurar o valor da filosofia.

Mas, além disso, se não quisermos fracassar em nosso esforço para determinar o valor da filosofia, devemos em primeiro lugar libertar nossas mentes dos preconceitos dos que são incorretamente chamados homens práticos. O homem prático, como esta palavra é freqüentemente usada, é alguém que reconhece apenas necessidades materiais, que acha que o homem deve ter alimento para o corpo, mas se esquece que é necessário prover alimento para o espírito. Se todos os homens estivessem bem; se a pobreza e as enfermidades tivessem já sido reduzidas o mais possível, ainda ficaria muito por fazer para produzir uma sociedade verdadeiramente válida; e até no mundo existente os bens do espírito são pelo menos tão importantes quanto os bens materiais. É exclusivamente entre os bens do espírito que o valor da filosofia deve ser procurado; e somente aqueles que não são indiferentes a esses bens podem persuadir-se de que o estudo da filosofia não é perda de tempo.

A filosofia, como todos os outros estudos, visa em primeiro lugar o conhecimento. O conhecimento que ela tem em vista é o tipo de conhecimento que confere unidade sistemática ao corpo das ciências, bem como o que resulta de um exame crítico dos fundamentos de nossas convicções, de nossos preconceitos, e de nossas crenças. Mas não se pode dizer, no entanto, que a filosofia tenha tido algum grande êxito na sua tentativa de fornecer respostas definitivas a seus problemas. Se perguntarmos a um matemático, a um mineralogia, a um historiador, ou a qualquer outro cientista, que definido corpo de verdades foi estabelecido pela sua ciência, sua resposta durará tanto tempo quanto estivermos dispostos a lhe dar ouvidos. Mas se fizermos essa mesma pergunta a um filósofo, ele terá que confessar, se for sincero, que a filosofia não tem alcançado resultados positivos tais como tem sido alcançados por outras ciências. É verdade que isso se explica, em parte, pelo fato de que, mal se torna possível um conhecimento preciso naquilo que diz respeito a determinado assunto, este assunto deixa de ser chamado de filosofia, e torna-se uma ciência especial. Todo o estudo dos corpos celestes, que hoje pertence à Astronomia, se incluía outrora na filosofia; a grande obra de Newton tem por título: Princípios matemáticos da filosofia natural. De maneira semelhante, o estudo da mente humana, que era uma parte da filosofia, está hoje separado da filosofia e tornou-se a ciência da psicologia. Assim, em grande medida, a incerteza da filosofia é mais aparente do que real: aquelas questões para as quais já se tem respostas positivas vão sendo colocadas nas ciências, ao passo que aquelas para as quais não foi encontrada até o presente nenhuma resposta exata, continuam a constituir esse resíduo a que é chamado de filosofia.

Isto é, no entanto, só uma parte do que é verdade quanto à incerteza da filosofia. Existem muitas questões ainda - e entre elas aquelas que são do mais profundo interesse para a nossa vida espiritual - que, na medida em que podemos ver, deverão permanecer insolúveis para o intelecto humano, a menos que seus poderes se tornem de uma ordem inteiramente diferente daquela que são atualmente. O universo tem alguma unidade de plano e objetivo, ou ele é um concurso fortuito de átomos? É a consciência uma parte permanente do universo, dando-nos esperança de um aumento indefinido da sabedoria, ou ela não passa de transitório acidente sobre um pequeno planeta, onde a vida acabará por se tornar impossível? São o bem e o mal importantes para o universo ou somente para o homem? Tais questões são colocadas pela filosofia, e respondidas de diversas maneiras por vários filósofos. Mas, parece que se as respostas são de algum modo descobertas ou não, nenhuma das respostas sugeridas pela filosofia pode ser demonstrada como verdadeira. E, no entanto, por fraca que seja a esperança de vir a descobrir uma resposta, é parte do papel da filosofia continuar a examinar tais questões, tornar-nos conscientes da sua importância, examinar todas as suas abordagens, mantendo vivo o interesse especulativo pelo universo, que correríamos o risco de deixar morrer se nos confinássemos aos conhecimentos definitivamente determináveis.

Muitos filósofos, é verdade, sustentaram que a filosofia poderia estabelecer a verdade de certas respostas a tais questões fundamentais. Eles supuseram que o que é mais importante no campo das crenças religiosas pode ser provado como verdadeiro por meio de estritas demonstrações. A fim de julgar tais tentativas, é necessário fazer uma investigação sobre o conhecimento humano, e formar uma opinião quanto a seus métodos e suas limitações. Sobre tais assuntos é insensato nos pronunciarmos dogmaticamente. Porém, se as investigações de nossos capítulos anteriores não nos induziram ao erro, seremos forçados a renunciar à esperança de descobrir provas filosóficas para as crenças religiosas. Portanto, não podemos incluir como parte do valor da filosofia qualquer série de respostas definidas a tais questões. Mais uma vez, portanto, o valor da filosofia não depende de um suposto corpo de conhecimento definitivamente assegurável, que possa ser adquirido por aqueles que a estudam.

O valor da filosofia, na realidade, deve ser buscado, em grande medida, na sua própria incerteza. O homem que não tem umas tintas de filosofia caminha pela vida afora preso a preconceitos derivados do senso comum, das crenças habituais de sua época e do seus país, e das convicções que cresceram no seu espírito sem a cooperação ou o consentimento de uma razão deliberada. Para tal homem o mundo tende a tornar-se finito, definido, óbvio; para ele os objetos habituais não levantam problemas e as possibilidades infamiliares são desdenhosamente rejeitadas. Quando começamos a filosofar, pelo contrário, imediatamente nos damos conta (como vimos nos primeiros capítulos deste livro) de que até as coisas mais ordinárias conduzem a problemas para os quais somente respostas muito incompletas podem ser dadas. A filosofia, apesar de incapaz de nos dizer com certeza qual é a verdadeira resposta para as dúvidas que ela própria levanta, é capaz de sugerir numerosas possibilidades que ampliam nossos pensamentos, livrando-os da tirania do hábito. Desta maneira, embora diminua nosso sentimento de certeza com relação ao que as coisas são, aumenta em muito nosso conhecimento a respeito do que as coisas podem ser; ela remove o dogmatismo um tanto arrogante daqueles que nunca chegaram a empreender viagens nas regiões da dúvida libertadora; e vivifica nosso sentimento de admiração, ao mostrar as coisas familiares num determinado aspecto não familiar.

Além de sua utilidade ao mostrar insuspeitadas possibilidades, a filosofia tem um valor - talvez seu principal valor - por causa da grandeza dos objetos que ela contempla, e da liberdade proveniente da visão rigorosa e pessoal resultante de sua contemplação. A vida do homem reduzido ao instinto encerra-se no círculo de seus interesses particulares; a família e os amigos podem ser incluídos, mas o resto do mundo para ele não conta, exceto na medida em que ele pode ajudar ou impedir o que surge dentro do círculo dos desejos instintivos. Em tal vida existe alguma coisa que é febril e limitada, em comparação com a qual a vida filosófica é serena e livre. Situado em meio de um mundo poderoso e vasto que mais cedo ou mais tarde deverá deitar nosso mundo privado em ruínas, o mundo privado dos interesses instintivos é muito pequeno. A não ser que ampliemos o nosso interesse de maneira a incluir todo o mundo externo, ficaremos como uma guarnição numa praça sitiada, sabendo que o inimigo não a deixará fugir e que a capitulação final é inevitável. Não há paz em tal vida, mas uma luta contínua entre a insistência do desejo e a impotência da vontade. De uma maneira ou de outra, se pretendemos uma vida grande e livre, devemos escapar desta prisão e desta luta.

Uma válvula de escape é pela contemplação filosófica. A contemplação filosófica não divide, em suas investigações mais amplas, o universo em dois campos hostis: amigos e inimigos, aliados e adversários, bons e maus; ela encara o todo imparcialmente. A contemplação filosófica, quando é pura, não visa provar que o restante do universo é semelhante ao homem. Toda aquisição de conhecimento é um alargamento do Eu, mas este alargamento é melhor alcançado quando não é procurado diretamente. Este alargamento é obtido quando o desejo de conhecimento é somente operativo, por um estudo que não deseja previamente que seus objetos tenham este ou aquele caráter, mas adapte o Eu aos caracteres que ele encontra em seus objetos. Esse alargamento do Eu não é obtido quando, tomando o Eu como ele é, tentamos mostrar que o mundo é tão similar a este Eu que seu conhecimento é possível sem qualquer aceitação do que parece estranho. O desejo para provar isto é uma forma de egotismo, é um obstáculo para o crescimento do Eu que ele deseja, e do qual o Eu sabe que é capaz. O egotismo, na especulação filosófica como em tudo o mais, vê o mundo como um meio para seus próprios fins; assim, ele faz do mundo menos caso do que faz do Eu, e o Eu coloca limites para a grandeza de seus bens. Na contemplação, pelo contrário, partimos do não-Eu, e por meio de sua grandeza os limites do Eu são ampliados; através da infinidade do universo, a mente que o contempla participa um pouco da infinidade.

Por esta razão a grandeza da alma não é promovida por aquelas filosofias que assimilam o universo ao Homem. O conhecimento é uma forma de união do Eu com o não-Eu. Como toda união, ela é prejudicada pelo domínio, e, portanto, por qualquer tentativa de forçar o universo em conformidade com o que descobrimos em nós mesmos. Existe uma tendência filosófica muito difundida em relação a visão que nos diz que o Homem é a medida de todas as coisas; que a verdade é construção humana; que espaço e tempo, e o mundo dos universais, são propriedades da mente, e que, se existe alguma coisa que não seja criada pela mente, é algo incognoscível e de nenhuma importância para nós. Esta visão, se nossas discussões precedentes forem corretas, não é verdadeira; mas além de não ser verdadeira, ela tem o efeito de despojar a contemplação filosófica de tudo aquilo que lhe dá valor, visto que ela aprisiona a contemplação do Eu. O que tal visão chama conhecimento não é uma união com o não-Eu, mas uma série de preconceitos, hábitos e desejos, que compõem um impenetrável véu entre nós e o mundo para além de nós. O homem que se compraz em tal teoria do conhecimento humano assemelha-se ao homem que nunca abandona seu círculo doméstico por receio de que fora dele sua palavra não seja lei.

A verdadeira contemplação filosófica, pelo contrário, encontra sua satisfação no próprio alargamento do não-Eu, em toda coisa que engrandece os objetos contemplados, e desse modo o sujeito que contempla. Na contemplação, tudo aquilo que é pessoal e privado, tudo o que depende do hábito, do auto-interesse ou desejo, deforma o objeto, e, portanto, prejudica a união que a inteligência busca. Levantando uma barreira entre o sujeito e o objeto, as coisas pessoais e privadas tornam-se uma prisão para o intelecto. O livre intelecto enxergará assim como Deus poderia ver: sem um aqui e agora; sem esperança e sem medo; isento das crenças habituais e preconceitos tradicionais: calmamente, desapaixonadamente, com o único e exclusivo desejo de conhecimento - conhecimento tão impessoal, tão puramente contemplativo quanto é possível a um homem alcançar. Por isso, o espírito livre valorizará mais o conhecimento abstrato e universal em que não entram os acidentes da história particular, que ao conhecimento trazido pelos sentidos, e dependente - como tal conhecimento deve ser - de um ponto de vista pessoal e exclusivo, e de um corpo cujos órgãos dos sentidos distorcem tanto quanto revelam.

A mente que se tornou acostumada com a liberdade e imparcialidade da contemplação filosófica preservará alguma coisa da mesma liberdade e imparcialidade no mundo da ação e emoção. Ela encarará seus objetivos e desejos como partes do Todo, com a ausência da insistência que resulta de considerá-los como fragmentos infinitesimais num mundo em que todo o resto não é afetado por qualquer uma das ações dos homens. A imparcialidade que, na contemplação, é o desejo extremo pela verdade, é aquela mesma qualidade espiritual que na ação é a justiça, e na emoção é o amor universal que pode ser dado a todos e não só aos que são considerados úteis ou admiráveis. Assim, a contemplação amplia não somente os objetos de nossos pensamentos, mas também os objetos de nossas ações e nossos sentimentos: ela nos torna cidadãos do universo, não somente de uma cidade entre muros em estado de guerra com tudo o mais. Nesta qualidade de cidadão do mundo consiste a verdadeira liberdade humana, que nos tira da prisão das mesquinhas esperanças e medos.

Enfim, para resumir a discussão do valor da filosofia, ela deve ser estudada, não em virtude de algumas respostas definitivas às suas questões, visto que nenhuma resposta definitiva pode, por via de regra, ser conhecida como verdadeira, mas sim em virtude daquelas próprias questões; porque tais questões alargam nossa concepção do que é possível, enriquecem nossa imaginação intelectual e diminuem nossa arrogância dogmática que impede a especulação mental; mas acima de tudo porque através da grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também se torna grande, e se torna capaz daquela união com o universo que constitui seu bem supremo.

Bertrand Russell - 1912, Oxford University Press, 1959, reimpresso em 1971-2 - Tradução: Jaimir Conte

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mito e Filosofia, Platão e Aristóteles

Mito e Filosofia, Platão e Aristóteles

*Ivandilson Miranda Silva

O mito é a primeira explicação, produzida pela humanidade, para justificar a existência dos fenômenos que rondavam o nosso mundo. A principal característica desse tipo de explicação era o discurso fabuloso, ilógico, sobrenatural, não racional. Geralmente, acreditava-se numa pessoa mais experiente que tinha autoridade por ter testemunhado o fato que está narrando ou por ter recebido a notícia de quem testemunhou os acontecimentos narrados.

A Filosofia nasce da necessidade de explicar os fenômenos de forma racional e lógica, saindo do mundo mágico e misterioso da mitologia. Mas não podemos deixar de considerar que a mitologia provoca o surgimento do pensamento filosófico.A filosofia, então, vai dando os seus primeiros passos com os filósofos pré-socráticos e se paradigmatiza com Sócrates que acreditando nas potencialidades da razão aponta o caminho para uma vida ética a partir do controle dos instintos. O pensamento racional já estava instaurado na Grécia antiga.

Os pós-socráticos, em especial, Platão e Aristóteles, vão criar escolas filosóficas com perspectivas bem diferenciadas demonstrando assim que a principal característica da filosofia é a produção de ideias e o debate público dessas indagações sobre a vida, a morte, o bem, o mal, o quente, o frio, o Ser e o Devir, a existência e essência...

As principais questões apresentadas por Platão na sua filosofia são: a preocupação com a política e os rumos do Estado, a ética, a estética , desconfia dos sentidos e recusa a passagem da sensação ao conceito, não se interessa pelo estudo da natureza, antecipa-se ao método de Descartes (1596- 1650) e acredita num mundo transcendente, onde estão as idéias inatas (nascidas conosco) nas quais se concentra toda a realidade, a razão aniquila e destrói as paixões. Sair da caverna é alcançar o mundo das ideias.

Aristóteles, mesmo sendo discípulo de Platão, não vai concordar com o seu pensamento apresentando um outro olhar sobre a filosofia que se caracteriza pela: vocação naturalista, observação do mundo físico/ concreto, onde os conceitos são tirados da experiência mediante a evidência, se interessa pelo estudo da natureza, o verdadeiro conhecimento vem da experiência, a razão governa e domina as paixões. “Nada está na mente que não tenha passado pelos sentidos”.

A partir dessas diferenças entre as concepções filosóficas de Platão e Aristóteles vamos construindo vários questionamentos sobre a origem e a verdade das coisas como: o que vem primeiro a idéia ou realidade, o conceito ou a experiência? os sentidos enganam? o que vejo não é verdadeiro, mas sim uma representação do que penso? preciso experimentar primeiro as coisas para depois criar os conceitos?

Assim a filosofa vai consolidando as suas escolas. Empirismo, Racionalismo, Existencialismo, Idealismo e vários outros “ismos” presentes na teoria do conhecimento.

* Graduado em Filosofia Pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL), Especialista em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação Pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Mestrando em Cultura e Sociedade Pela FACOM-UFBA, Professor do Núcleo de Humanas da UNIME-PARALELA-SAVADOR.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Dia Mundial da Filosofia - 18/11

Pensar para viver melhor
Nei Alberto Pies

A filosofia é sempre uma atividade perigosa, porque nos instiga a pensar.

"Pensar bem, para viver melhor", era desejo dos gregos. Para alcançar o real desenvolvimento humano, recomendavam a sabedoria, a coragem, a temperança e a justiça. Na Grécia Antiga competia-se em tudo, sobretudo no campo das ideias e dos destinos da cidade (polis), tendo em vista ser cidadão (capaz de governar e ser governado). Neste sentido, herdamos o desafio de formarmos seres humanos preparados para viver a vida e a cidadania.

Como viver? É uma das perguntas mais importantes a serem respondidas nos dias atuais. Se “é preciso saber viver”, as formas de construir nossa vida sempre passam ou pelo individualismo ou pela coletividade. A sabedoria de nosso poeta maior Gonzaguinha revela que aspiramos por humanidade, construída por várias e distintas mãos, e que somos marcados uns pelos outros. Disse o poeta: “e aprendi que se depende sempre, de tanta, muita, diferente gente. Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas. E é tão bonito quando a gente entende que a gente é tanta gente onde quer que a gente vá. E é tão bonito quando a gente entende que nunca está sozinho, por mais que pense estar”.

A tarefa de construir-se sujeito no mundo e sujeito do mundo não é uma responsabilidade reservada a cada um individualmente, mas enseja o modo de ser, pensar e agir no mundo, a partir da coletividade. Esta, por sua vez, deve permitir a construção de uma cidade justa, solidária, que contemple as nossas diferenças.

A maior riqueza da humanidade está nas diferenças culturais, que traduzem o modo de ser, pensar e agir de cada ser humano e de todos os povos. Reconhecer estas diferenças enriquece nosso conceito de humanidade. Somos diferentes nas potencialidades, nos modos de vida e nos pensamentos. As potencialidades humanas requerem reconhecimento social, seja pelos méritos pessoais ou méritos coletivos. Por isto que justiça não pode supor relações subalternas, mas o tratamento da igualdade a partir das diferenças.

O que precisamos saber para cuidar da vida? Se ninguém pode dar aquilo que não tem, todos nós podemos somar talentos e possibilidades para tornar nossa vida a melhor possível, respeitando os limites da gente e os limites dos outros.

O exercício cotidiano do diálogo abre sempre novas possibilidades de construir uma vida mais justa, feita através da liberdade, e considerando a possibilidade da felicidade de todos e todas. Este mesmo diálogo permite transformar a rebeldia saudável dos jovens em atitudes cidadãs, a partir do conhecimento gerado pelo reconhecimento das idéias de todos. O convite que se faz aos jovens estudantes e a todos nós é que nos superemos a nós mesmos, com novas formas de agir e pensar, num espírito de cooperação e amizade. Se a filosofia é arte de pensar, aproveitemos nossas idéias e nossos pensamentos para conquistar novas amizades e novas percepções de vida e de mundo. A humanidade se faz em movimento, de pessoas e de idéias.

Nei Alberto Pies é professor e ativista em direitos humanos

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

I Varal Fotográfico - IV Jornada de Filosofia

I Varal Fotográfico - IV Jornada de Filosofia


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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Convite ao pensar - Filosofia


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O dia D - Reflexões Filosóficas

O dia D - Reflexões Filosóficas

Boletim semanal editado pelo Centro de Filosofia Educação para o Pensar
(Florianópolis/SC)

Ano 3 - Número 118 - quinta-feira, 02/04/2009

FORMAÇÃO CONTINUADA 2009 do SER

Boletim Especial "O Dia D":
FILOSOFIA VIVA e Atuante!

Professores, pais e alunos: acompanhem abaixo alguns dos eventos e ações deste primeiro trimestre do ano de 2009.

S.E.R. - Sistema de Ensino Reflexivo, Centro de Filosofia Educação para o Pensar e Nufep/DF (sob coordenação da Professora Lia) são destaque em Jornal da Comunidade, de Brasília/DF

S.E.R. - Sistema de Ensino Reflexivo, Centro de Filosofia Educação para o Pensar e Nufep/DF (sob coordenação da Professora Lia) são destaque em Jornal da Comunidade, de Brasília/DF

Galeria de Fotos atualizada com muitas imagens de eventos recentes realizados por todo Brasil: Café com Idéias, Palestras, Encontros com Comunidade Escolar, Assessorias Filosófico-pedagógicas, Formação de Professores, Cursos, Visitas a Colégios, etc.

Galeria de Fotos atualizada com muitas imagens de eventos recentes realizados por todo Brasil: Café com Idéias, Palestras, Encontros com Comunidade Escolar, Assessorias Filosófico-pedagógicas, Formação de Professores, Cursos, Visitas a Colégios, etc. Veja tudo isso e muito mais em:
http://www.portalser.net/

Participe e conto conosco! (acompanhe nossos eventos e atividades no Calendário do SER em
http://www.portalser.net/ e http://www.portaldafilosofia.com.br/)

Agende-se! Café com Idéias em Brasília, Paranaguá e Curitiba, mais informações na Agenda do SER em
http://www.portalser.net/

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Formação Continuada com Professores do Centro-Oeste - Avaliação do Evento

Formação Continuada com Professores do Centro-Oeste - Avaliação do Evento

Formação Continuada 2009 do SER

Boletim-Relatório Região Centro-Oeste

Encontro Filosófico-Pedagógico com Professores em Brasília/DF, dia 14/02

O processo de Formação que estamos realizando com os colégios do Distrito Federal em 2009, com muita intensidade, centra-se em três eixos:

* 1. O domínio do saber acumulado no que se refere ao conteúdo filosófico-pedagógico e às formas de ensiná-lo.

* 2. O domínio da concepção dialética como meio de desenvolver uma ação e reflexão autônoma e crítica.

* 3. A formação de uma postura ética e política guiada por sentimentos e valores que possibilitem ao professor utilizar esse saber acumulado como meio para o desenvolvimento pleno do aluno e para seu próprio desenvolvimento como ser humano.

Histórico:
A equipe de Assessoria filosófico-pedagógica do Sistema de Ensino Reflexivo S.E.R, junto com os autores e professores de sala de aula, há mais de vinte anos colabora com professores e colégios que trabalham o nosso Programa e livros didático-filosóficos.

(Foto de alunos, professores
e equipe do Nufep/DF - Formação Continuada 2009 - 14/02/09)

Relatório do 1o. evento

Dia 14 de fevereiro de 2009

Local: Col. CIMAN – SHC/AOS, entre área 1/4 – Octogonal

Participação: Colégios do DF que trabalham com o Programa Educação para o Pensar: Filosofia com Crianças, Adolescentes e Jovens

Duração: 8 horas com reflexões teóricas e oficinas práticas

Clique
AQUI para ver fotos, vídeos, avaliações e depoimentos do evento que reuniu muitos educadores.

E agora no final de março,
participe de mais um...

O quê? Café com Idéias

Quando? 21 de março (3o. sábado) - 08h30 às 11h30

Onde? Col. JK – QE O8 – Área Especial, 01 – Guará I

Contato: Lia Papelaria - 3201.1013 - 8125.0318 -
liabazzo@hotmail.com – Gratuito com Vagas Limitadas

Divulgue este evento em sua escola (por email, ou colocando o anúncio em murais!), clique AQUI para obter o cartaz de divulgação.

Faça parte
do nosso trabalho...

Conte conosco para o que precisar, pois contamos também com você.

Utilize nossa estrutura:

* Acessando em www.portaldafilosofia.com.br ou www.portalser.net algum assessor em horário comercial para conversar, tirar dúvidas, propor atividade, socializar suas realizações...
* Usufruir das nossas páginas na internet.
* Socializar o que faz ou pretende fazer com suas aulas de filosofia (Jornal Corujinha / noticias nos sites / boletins online...)
* Contar com o Departamento filosófico-pedagógico.
* Participar dos Projetos do S.E.R. (Centro de Filosofia / Editora / entidades conveniadas)

Conheça o Portal da Filosofia

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Filosofia ajuda alunos a refletir e tomar decisões

Filosofia ajuda alunos a refletir e tomar decisões

13.02.2009



Após quase 40 anos, as disciplinas de filosofia e sociologia foram novamente incorporadas ao currículo do ensino médio, em junho de 2008, com a entrada em vigor da Lei 11.684. A medida tornou obrigatório o ensino das duas disciplinas nas três séries do ensino médio.

A presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Clélia Brandão Alvarenga Craveiro, aborda o tema e diz que o conteúdo da filosofia é extremamente importante, pois dá a visão de desenvolvimento, das relações entre as pessoas.

Leia mais

Teorias se aplicam ao cotidiano dos alunos

13.02.2009



No ensino médio, apresentar conteúdos de forma temática facilita o ensino de filosofia.

Leia mais

Colégio Pedro II tem tradição em filosofia

13.02.2009

Professores de filosofia do Colégio Pedro II no ano de 2007

O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, oferece aulas de filosofia desde que foi fundado, em 1838.

Leia mais

Crianças aprendem a filosofar desde cedo

13.02.2009



Metodologia criada por Matthew Lipman é aplicada em escolas brasileiras há mais de 20 anos.

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Fonte:
http://www.mecgov.br/

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Venha gravar programa de Filosofia na TV

Venha Gravar Programa de Filosofia!

A Universidade São Marcos está lançando na TV Aberta de São Paulo a "TV Filosofia". São programas apresentados por Francielle Maria Chies (Fran), com entrevistas ao filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. sobre cada grande filósofo da história da filosofia.
Os programas são gravados no estúdio da Universidade São Marcos na unidade do ABC. Anote a rua: Rua Antonio Gomes Ferreira, 89 - Ipiranga - São Paulo - SP - CEP 04257-100. São Paulo, capital. Os programas são gravados às quintas, a partir das 10 da manhã.
Caso você não possa estar em São Paulo para participar da gravação e fazer perguntas, então pode mandar e-mail. Tanto para o convite, para poder participar ao vivo, quanto para perguntas, utilize o e-mail do CEFA, da Fran:
fghi29@gmail.com
E haverá sorteio de livros de filosofia, CD e DVDs para os perguntadores!
Centro de Estudos em Filosofia Americana

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

É tempo de filosofar.

É tempo de filosofar.

Ao consultarmos qualquer dicionário, o termo Filosofia tem seu significado atrelado ao saber. Mais especificamente, amizade à sabedoria – em grego philos (amigo) + sophia (sabedoria). É consenso atribuir o cunho do termo a Pitágoras que certa vez, ouvindo alguém chamá-lo de sábio e considerando este nome muito elevado para si, pediu que o chamasse simplesmente de filósofo, isto é, amigo do saber.
Obviamente, essa definição é um tanto simplista, tanto que para alguns pensadores a filosofia sequer é definível.

Quando ouvimos falar em Filosofia, na maioria das vezes, pensamos em algo fora da realidade. Mas, voltando um pouco na linha temporal, vemos que não era bem assim. Até o século XVI, a Filosofia era "senhora" de quase tudo: física, metafísica (tudo além do físico: religião, por exemplo), política, história, ética, direito, etc. A filosofia era o próprio conhecimento humano. Aristóteles, por exemplo, o grande pensador que influenciaria todo o ocidente com a sua ética e metafísica, nos legou grandes descobertas sobre botânica e fisiologia.
A partir das revoluções científicas com Galileu, a filosofia perdeu seu "monopólio". Ao longo dos séculos seguintes ela foi desmembrada. Hoje, temos vários campos do saber filosófico, tais como filosofia da linguagem, filosofia política, filosofia da história, até mesmo a sociologia, a antropologia, e a psicologia.

Uma pergunta então torna-se inevitável: qual a papel da filosofia na contemporaneidade, nessa época de constantes transformações?
Para o jornalista João Pereira Coutinho, a filosofia é atemporal. Somente com ela os homens conseguem operar na claridade. A filosofia, mais do que revelar verdades, é um alicerce ao próprio existir humano, quer no plano coletivo, quer no individual.
Ela é a abertura do questionamento do mundo, processo contínuo em que a viagem é mais importante do que a chegada.

Para desembaçar a visão daqueles que reduzem Filosofia a história, trago um esboço dos conceitos de alguns dos muitos pensadores contemporâneos.
Primeiro, o francês Paul Virilio. Chamado de teólogo da Idade da Mídia, criou uma ciência para captar a essência da nossa era, a dromologia (dromos, em grego é corrida). Como para o capitalismo tempo é dinheiro, para ele velocidade é poder. Nesses moldes, não conseguimos ultrapassar os limites da superficialidade. Assim, a banalidade vem à tona e reverencia-se a "sociedade do espetáculo", onde nada é; só parece ser.
Para o filósofo Baudrillard, o mundo seria aquilo que não se vê; a irrealidade; o não acontecimento (inclusive a tríade Matrix, não por acaso, foi baseada em um dos seus livros).
Já o pensador polonês Bauman fala em modernidade líquida. Um conceito que toma a água como metáfora da fluidez da vida: mal assimilamos um conceito e logo nos vemos reféns da necessidade de assimilar outro, assim numa seqüência sem fim. Numa segunda leitura, a água é a metáfora de nós mesmos, condenados a tomar a forma do recipiente.

Hoje, a filosofia é mais essencial do que nunca. Dentre as muitas funções sociais cabíveis a ela, podemos destacar a sua responsabilidade em construir os instrumentos para que o diálogo entre os homens, entre as tradições e entre as diversas formas de pensar nunca cesse.

A filosofia não pára, não parou e nunca parará.
Graças a nós!

Matheus Arcaro
Blog: oqueinspira? -
http://oqueinspira.blogspot.com

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mas afinal, para que serve a filosofia?

Mas afinal, para que serve a filosofia?

Para nada.
Eis a resposta mais plausível.
A Filosofia “não serve” para nada por que não é serva, é absoluta.
Assim como o olho é fundamento da visão, a Filosofia é o fundamento de todo interrogar. Mais que isso: é a essência de todo fundamento.

O erro inicia-se em querer avaliar a Filosofia de fora, num campo estranho à própria Filosofia. É como querer julgar o supremo tribunal que é a fonte de todo julgar.

Em nossa cultura contemporânea, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver finalidade prática, utilidade imediata. Aristóteles, há 2.400 anos, ao contrário desse pensamento reducionista, primava o conhecimento pelo conhecimento. Ele hierarquizava os saberes, colocando no topo as ciências teoréticas, que cuidavam do estudo das causas primeiras, da essência de tudo o que há. Depois as ciências comportamentais (política e ética). Por fim, as ciências produtivas, mecânicas (as úteis nos dias de hoje). O fundamental para ele era cultivar a essência do homem. E isso só seria possível pela Filosofia.

Para o idealista alemão Schelling (1775 -1854), falar da utilidade da filosofia é contrário a dignidade dessa ciência. Aquele que se prende a esse tipo de questão certamente não está à altura de possuir a idéia de Filosofia. A Filosofia se desobriga por si mesma de toda relação com a utilidade. Ela só existe em função de si mesma. Existir em função de outra coisa seria de imediato destruir sua própria essência. A Filosofia é sempre o fim, nunca pode ser reduzia à categoria de um simples meio.

Agora, se criticar o caminho trilhado pelas idéias dominantes e poderes estabelecidos for útil.
Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil.
Se buscar compreender a significação do mundo for útil.
Se conhecer o sentido das criações humanas nas artes, nas ciências e na política for útil.
Se dar a cada um de nós os meios para sermos conscientes de nossas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, então a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres humanos são capazes.

Matheus Arcaro
Blog: oqueinspira? -
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segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Seminário no RJ celebra Dia Mundial da Filosofia

Seminário no RJ celebra Dia Mundial da Filosofia

Encontro na UFRJ divulgará trabalho vencedor de concurso da área

Rio de Janeiro, 14/11/2008 – A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a UNESCO no Brasil, promove na próxima quarta-feira, 19, um seminário para celebrar o Dia Mundial da Filosofia. Criada pela UNESCO em 2002, a data é celebrada sempre na terceira quinta-feira do mês de novembro. Como neste ano ela coincide com o feriado de Zumbi dos Palmares, no Rio, o evento foi antecipado.

O principal objetivo da data é disseminar a filosofia, sensibilizando o público para a atualidade das questões estudadas por esse campo do saber e sua estreita ligação com os valores culturais necessários para a construção de sociedades mais éticas e igualitárias.

Composto por um ciclo de diálogos com cinco palestrantes convidados e por um espaço multimídia, o evento na UFRJ contará com a participação do vencedor do concurso “A Filosofia e o Brasil”, o estudante Agenor Cavalcanti, do curso de filosofia da Universidade Federal do Amazonas. Cavalcanti foi selecionado entre estudantes de graduação em Filosofia de todo o país e terá seus textos publicados na página virtual do projeto. O vencedor do concurso também receberá da UNESCO no Brasil passagens aéreas Manaus/Rio/Manaus para apresentar seu estudo, durante o seminário. As despesas de acomodação serão custeadas pela UFRJ. Para conhecer mais sobre o Seminário, inclusive sua programação, clique
aqui.

sábado, 25 de outubro de 2008

Dilemas do Magistério: Vocação ou Profissão?

Dilemas do Magistério: Vocação ou Profissão?

Cada ano que passa, o 15 de outubro perde o seu sentido original, que, na verdade, deveria remeter ao pluridimensional ofício dos profissionais da Educação, uma justa homenagem ao árduo e gratificante trabalho dos professores e professoras do nosso estimado Brasil.

As razões para o referido esquecimento são várias, desde a ausência de políticas públicas unificadas em prol da educação básica, sob a égide do governo federal, porquanto cada Estado se julga apto e autônomo para direcionar seus investimentos nesta área, o desencanto de nossos estudantes com a Licenciatura, em virtude da exaltação exacerbada das áreas profissionalizantes, com menos tempo de duração e com maior remuneração, o desafio hodierno que é lecionar perante classes tão heterogênicas, constituídas de estudantes que recebem de tudo de seus progenitores, menos atenção e disciplina. Por tais, entre outras justificativas, o sacrossanto ato de lecionar, iniciado com os aedos, através da formação oral, até os nossos dias, mediante requintadas e desconcertantes técnicas áudio-visuais e digitais, tem perdido o sentido e objetivo originais: educar o (a) educando para a vida, para o convívio harmônico em sociedade e prepará-lo (la) para o mercado de trabalho, intenções pressupostas na LDBEN 9394/96, a Lei que regulamenta a Educação no Brasil.

Olhar o trabalho dos professores, ouvir suas experiências passadas e atuais, analisar o esforço permanente destes (as) mestres para a erradicação da ignorância proveniente do analfabetismo, de um lado, são elementos estimulantes para quem deseja ingressar no Magistério; por outro lado, no entanto, ouvir as permanentes queixas acerca da renúncia dos pais, mães e responsáveis pela educação filial, sentir as mágoas e ressentimentos que muitos (as) nutrem pela situação estarrecedora da educação brasileira, em todos os níveis, com relatos, amiúde, acompanhados de sinceras lágrimas, provocam-nos um repensar constante: permanecer ou não no Magistério...

Há um tempo atrás, sob o intuito de cativar profissionais postulantes à Educação, diversos governos apregoavam, de forma apologética, o ato de educar como "vocação", um chamado interno, de origem divina, num sentido religioso, tal qual o do patriarca judeu Abraão, e "daimônica", num sentido filosófico, tal qual o de Sócrates, que renuncia a família, que luta contra os falsos sábios de sua época e que é assassinado pela Assembléia de Atenas, na Grécia, obrigado a ingerir veneno, extraído da cicuta, erva mortífera. Hoje, não obstante, é reconhecida apenas como uma "profissão", com baixos salários, apesar dos esforços permanentes em favor de uma formação integral, que não se resume apenas a Licenciatura, mas a cursos de extensão, de especialização, Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado, nem sempre sob a intenção de obter novos reajustes por evolução acadêmica, mas, por estranho que pareça, para garantir a manutenção dos provimentos e, por conseguinte, da função exercida.

Notamos, entretanto, vários Estados, através das Universidades da alçada da unidade federativa, incentivando estudantes do Ensino Médio a optarem pelas Licenciaturas, inclusive oferecendo vários benefícios, tais como Bolsa de Estudos, Bolsa Moradia, etc., a fim de que, no futuro, na mesma proporção, que tenhamos estudantes e professores (as). Contudo, não observamos o mesmo empenho para preservar os profissionais que já estão na Rede Pública de Ensino, seja mediante melhor remuneração, estímulos, tais como "mimos", seja concedendo melhores condições de trabalho, menos estudantes por sala, material pedagógico de qualidade, maior investimento na estrutura predial, hidráulica e elétrica das escolas, que, com raríssimas exceções, oferecem riscos contínuos a integridade física de todos.

Médicos têm o juramento de Hipócrates, assim como muitos outros profissionais, nós, todavia, nada temos de uniforme e homogêneo para a categoria, exceto aquilo que lemos no dia de nossa formatura. Portanto, que este seja o nosso lema: "Prometo respeitar e honrar o meu conhecimento e oferecê-lo a todos quantos desejarem, desde que, em contrapartida, sejamos respeitados, não pelo que temos, mas pelo o que somos: humanos que, apesar de tudo, confiam no poder extraordinário da humanidade intrínseca dos nossos estudantes".

Enfim, quem ganha com o nosso desempenho nem sempre é o mercado de trabalho, mas sim a humanidade, contemplada no rosto sereno de quem educa e que continuamente aprende com o olhar fixo e atento dos nossos estudantes, futuros pais, mães, políticos, técnicos, revolucionários do saber.

Benedito Luciano Antunes de França – 34 anos
Mestre em Filosofia. Professor Concursado de "Jornadas Temáticas I" da FATEC-Americana, em Americana/SP, e
Professor Titular de Filosofia da Diretoria Regional de Ensino de Sumaré, na EE João Franceschini, em Sumaré/SP.

domingo, 12 de outubro de 2008

XIX Semana de Filosofia

Instituto de Filosofia João Paulo II
(Conveniado com a PUC/RJ)

XIX Semana de Filosofia

Filosofia, Arte e Política

21 de outubro (terça-feira)

8h – Abertura

8h30m – Conferência
REALISMO E VEROSSIMILHANÇA: questões metafísicas no cinema

Carlos Frederico Calvet G. da Silveira (UCP/FEFJPII)

Thiago Leite Gabrera (UCP)

9h 15m – Intervalo

9h30m – Projeção do filme
ORDET, A PALAVRA, de Carl Theodor DREYER.

11h 45m – Debate final
Mediação: Profª Maria Aldice Atthayde

22 de outubro (quarta-feira)

8h – Conferência e debates
FILOSOFIA E ARTE NA POS-MODERNIDADE
Reinério Luiz Moreira Simões (UERJ)

Mediação: Pe. Pedro Cunha Cruz

10h – Intervalo

10h 30m – Conferência e debates
O ELEMENTO FUNDAMENTAL DA POÉTICA DE ARISTÓTELES
Vitor Gino Fenelon (ISTARJ)

Mediação: Renan Féres Ferreira

Inscrições e Informações
INSTITUTO DE FILOSOFIA JOÃO PAULO II
(conveniado com a PUC/RJ)
Av. Paulo de Frontin, 568 – Fundos, Rio Comprido.
Fones: 3293 6143, de 8h às 12h

23 de outubro (quinta-feira)

8h – Conferência e debates
ESPAÇO PÚBLICO E MODERNIDADE: REFLEXÕES A PARTIR DE HANNAH ARENDT

Samir Hadad ( Candido Mendes)
Mediação: Leonardo Almada

10h – Intervalo

10h 30m – Painel
FORÇA DE LEI, BIOPOLÍTICA E EXCEÇÃO: POLÍTICA E ÉTICA NO PENSAMENTO CONTEMPORÂNEO

Georgia Amitrano (Univ. Fed. de Uberlândia)

NEUROPEPTÍDEOS E NEUROQUÍMICA CEREBRAL NA NEUROCIÊNCIA AFETIVA: AS BASES CEREBRAIS DAS EMOÇÕES

Leonardo Almada (Instituto de Filosofia João Paulo II/PUC-RJ)

Mediação: Robson Oliveira (IFJPII)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Conversando sobre Educação e Filosofia

Após meses de interrupção involuntária, o Uirapuru – Filosofia e Educação retoma o "Conversando sobre Educação e Filosofia".

O primeiro debate deste ano ocorrerá na quinta-feira, dia 25 de setembro, às 19h na sede da EDUCAFRO http://www.educafrominas.org.br/, localizada na Av. Amazonas nº314, 2º andar, sala 210, centro (entre a av. Afonso Pena e a rua dos Tupinambás).

Palestrante: Alexandre da Silva Aguiar

Título: Diversidade do público da Educação de Jovens e Adultos: A EJA nas Prisões

Resumo:

O reconhecimento de que os jovens e adultos privados de liberdade são sujeitos da EJA e representam um enorme contingente do seu público faz-nos voltar para uma problemática que possui pouca visibilidade em nosso país. Segundo dados do DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), órgão do Ministério da Justiça, das 400 mil pessoas presas no Brasil hoje, mais de 70% não concluíram o ensino fundamental e somente 17% estão estudando. Embora se constitua num direito garantido pela Constituição Federal e pela Lei de Execução Penal, e não um privilégio, como muitas vezes costuma-se encará-la, a educação nas prisões, quando ofertada, ocorre de forma desarticulada entre as pastas da justiça e educação, não levando em consideração as especificidades da EJA, do público por ela atendido e o contexto em que se insere o próprio sistema penitenciário no Brasil.

Súmula Curricular: Graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1995), obteve seu titulo de mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense (2005) e, atualmente, cursa o doutorado em educação na Universidade Federal de Minas Gerais, estando ligado à linha de pesquisa: educação, cultura, movimentos sociais e ações coletivas. Entre 2005 e 2006, exerceu o cargo de consultor da UNESCO no Projeto Educando para Liberdade, para construção de diretrizes para Educação no Sistema Penitenciário. Desde 1989 é educador ligado ao SAPÉ (Serviços de Apoio à Pesquisa em Educação), ONG que atua no campo da Educação de Jovens e Adultos. Mais recentemente, compõe o grupo de formadores da Fundação Darcy Ribeiro, responsável pela formação e acompanhamento pedagógico dos educadores, coordenadores e gestores do Programa de Inclusão de Jovens - Projovem - da Secretaria Nacional de Juventude.

Como nos eventos anteriores, a apresentação será seguida de debate. A entrada é franca, mas está condicionada à lotação do auditório. Para maiores informações, consulte http://www.uirapuru-filosofiaorgbr.t5.com.br/
ou escreva para uirapuru.filosofia@yahoo.com.br

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Hoje é o Dia D! (edição especial)

O dia D - Reflexões Filosóficas
Boletim semanal editado pelo
Centro de Filosofia Educação para o Pensar
(Florianópolis/SC)

Ano 2 - Número 92 - quinta-feira, 28/08/2008
BOLETIM ESPECIAL:

* Seminário em Salvador/BA neste SÁBADO!
* Café com Idéias em São José/SC neste sábado e em Fortaleza/CE dia 13/09.
* Seminário em Sobral/CE dia 19 e 20/09.
* Nova edição do Jornal Corujinha (divulgue sua escola e atividades, assine gratuitamente!)
* Prêmio "Troféu Amigos da Filosofia" (participe com seus alunos e colegas, indique professores!)
* Concurso Nacional de Peças Teatrais Filosóficas (você pode ser co-autor de um livro!)
* Comunidade do SER (conheça amigos em nossa rede!)
* Sistema de Ensino Reflexivo (SER) é destaque nas revistas IstoÉ e Amanhã

Seminários Regionais de Filosofia em
Salvador/BA (neste sábado, 30/08)

(mais informações AQUI ou
no folder oficial do evento.


Clique na imagem

Seminários Regionais de Filosofia em
Sobral/CE (19 e 20/09)

mais informações AQUI ou
no folder oficial do evento.


Clique na imagem

(para entrar em contato direto com
nossa equipe on-line clique aqui)


* Neste sábado, 30/08
Local: São José/SC (no CATI)
Horário: 8:30 às 11:30 (am)
Palestra: "Intolerância, Violência e Loucura – Uma Travessia entre Erasmo de Rotterdam a Montesquieu, aos dias atuais"
(Por: Dra. Márcia Aguiar Arend - Promotora de Justiça)
Informações: Prof. Emílio (na Secretaria Municipal de Educação - fone (48) 338.17436, das 13:00 às 19:00)

* Dia 13/09
Local: Fortaleza/CE (no Palácio da Educação, Auditório Paulo Freire)
Conteúdo: Coordenado especialmente pela Câmara de Educação Básica do Conselho de Educação do Ceará, Presidida pela Profa. Marta Cordeiro
Informações: jaopai@hotmail.com ou cooeducar@uol.com.br - fone: (85) 3231.7479

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A Justiça Em Platão

A Justiça Em Platão

Resumo

Na introdução deste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresenta-se o tema de pesquisa que é o conceito de justiça em Platão e a justificativa para esta escolha, estabelecendo-se os objetivos do estudo. Questiono se o conceito de justiça em Platão atende às expectativas de nosso tempo. Em seguida apresento passagens da vida do filósofo e relaciono seu ideal político com a política existente em sua época. Dando início ao estudo, analiso as concepções ordinárias acerca da justiça na obra "A República", onde as idéias apresentadas são do mestre de Platão, Sócrates. Verifiquei que tais concepções não são satisfatórias. Sócrates ainda refuta outra concepção que vem a seguir, a concepção de Trasímaco. Neste trecho do estudo introduzo também as idéias de Thomas Hobbes. Baseando-me em Hobbes tento sustentar a posição de Trasímaco, mas, com as idéias de Hobbes também vimos que a posição de Trasímaco não se sustenta. A partir desse ponto, busco a resposta sobre o ser da justiça retornando à obra "A República" naquilo que são as idéias próprias de Platão sobre o tema. Platão dedica-se a uma defesa da justiça dialogando com o personagem Glaúcon, concluindo por apresentar o tão esperado conceito de justiça objeto de sua obra e deste estudo. Recomendo uma leitura atenta do raciocínio de Platão que culmina com a elaboração do conceito de justiça. Concluo mostrando que o conceito de justiça em Platão é muito atual.

Para continuar a leitura, clique no arquivo abaixo:
Educação é poder ou conhecimento?
A Justiça em Platão - TCC(Rita de Cássia Pinheiro Silva Ferreira / Abril de 2006)

(arquivo completo - tipo: ".doc" (Word) - Tamanho: 198 Kb)

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

O Dia D - Reflexões Filosóficas

O dia D reflexões filosóficas

Boletim semanal editado pelo
Centro de Filosofia Educação para o Pensar
(Florianópolis/SC)


Atenção Limeira/SP e região:
neste sábado, participe do Café Filosófico!
Neste sábado, participe do Café Filosófico em Limeira/SP!

Próximos eventos:
Seminário Regional de Filosofia em Vitória/ES dia 16/08

Seminário Regional de Filosofia em Salvador/BA dia 30/08

Relação entre educação e sociedade ao longo da história,em seus aspectos sociais, culturais e econômicos

Por: Fabíola Langaro (Psicóloga)
e-mail: flangaro@hotmail.com

Em todos os períodos da história da humanidade, o processo educacional esteve relacionado à necessidade social, instrumentalizado pelo sistema econômico. Nas sociedades primitivas, o sistema econômico estava baseado na agricultura, assim como na Roma Arcaica a necessidade econômica estava relacionada à expansão agrícola. Nesses sistemas, a identidade do sujeito passava pela idéia de que ele deveria ser preparado para ser um guerreiro. Neles, a instituição responsável pelo processo de educação era a família e o papel valorizado pela sociedade e pela cultura era o papel social do guerreiro. Dessa forma, a preparação dos meninos para a guerra passava pela utilização dos jogos que simulavam as situações vividas na realidade.

Na Idade Média, os filhos passaram a sair de suas casas para serem educados nas casas de outras famílias. Naquela época, acreditava-se que o afeto poderia interferir de modo negativo no processo educacional e a educação passou a ser feita à distância para que o aspecto emocional não comprometesse a preparação dos guerreiros. Os jovens aprendiam, assim, tanto a...

(clique aqui para continuar sua leitura)

domingo, 6 de julho de 2008

O lugar do Ensino Paralelo

Centro de Filosofia Educação para o Pensar

COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL E MULTIMÉDIA: O LUGAR DO «ENSINO PARALELO»

1. Apresentação

Privilegiando-se, no contexto situacional da temática global da comunicação, a dimensão específica da denominada «comunicação escolar» e no seio desta as dimensões da confirmação e da infirmação, fazendo-se convergir esta análise para o processo de ensino-aprendizagem, seria deveras redutor – face ao estado actual de desenvolvimento das tecnologias e dos processos informativos perfeitamente ao alcance de todos nós e cujo poder de persuasão é inegavelmente instalado nas mentes dos jovens errantes – não reservar um momento da nossa reflexão geral sobre a Educação à abordagem desta matéria, tendo especialmente em consideração a influência da imagem e dos meios de comunicação audiovisual no âmago da educação escolar propriamente dita, pelo menos aos níveis mais notórios e imediatos que esta problemática enferma.

2. A "escola normal" e a "escola paralela": da aprendizagem pelo texto oral/escrito à aprendizagem pelo texto icónico

A chamada cultura audiovisual, que se tem situado sempre no primeiro lugar de todos os "topes" dos meios de comunicação de massa é, inegavelmente, transmitida por um tipo de imagem particularmente concebido e em cuja concepção se pesam todos os pormenores, com o intuito de alcançar a maior persuasão e eficácia junto do espectador, a qual é deveras mais forte e tremendamente mais influenciável não só do que as palavras, mas também do que as ideias que elas possam transmitam, por mais brilhantes e sugestivas que sejam, quer em termos do respectivo conteúdo, quer no que concerne ao respectivo modo de apresentação.

O primado da visão, em relação aos restantes órgãos dos sentidos, sempre foi destacado, desde a Grécia Clássica, mesmo pelos filósofos mais vincadamente idealistas/racionalistas, como é o caso de Platão (427-347 a.C.). Esta tese é, agora, cada vez mais obvia, tendo surtido, como é do conhecimento comum, alterações ao nível dos processos de desenvolvimento da inteligência, consubstanciados num aumento progressivo e determinante da capacidade intuitiva, em função de um certo empobrecimento e até mesmo detrimento da capacidade reflexiva, que, por exemplo, a cultura da leitura e da escrita naturalmente exige.

Importa definirmos, antes de procedermos à definição e análise do conceito de imagem, o que entendemos por inteligência, por intuição e por reflexão, recorrendo a leituras filosóficas e psicológicas, uma vez que a compreensão destes conceitos é fundamental, não apenas para a determinação adequada do processo de ensino-aprendizagem, como para o entendimento do funcionamento dos processos mentais do educando e, por consequência, para a delimitação, por parte do docente, do tipo de comunicação/categorias comunicacionais mais eficazes, face à caracteriologia apresentada por cada aluno/grupo-turma.

3. Inteligência e multimédia: do reflexivo ao intuitivo

Devemos distinguir, num primeiro momento, as expressões "conceito de inteligência" e "natureza da inteligência". Relativamente à primeira, e tendo em consideração a sua etimológica (do latim "intelligentia"), o termo "inteligência" significaria apenas a "qualidade do que é inteligente" (do latim intus = inter + legere = eligere), ou seja, "ler dentro", "escolher entre", "discernir", remetendo assim para aquele que tem a capacidade de penetrar nas coisas, captar a sua intimidade ou a sua essência. Porém, e em virtude dos variadíssimos equívocos da linguagem psicológica e filosófica, o termo aparece como sinónimo de entendimento, de intelecto, de razão, de ser espiritual, para designar funções cognitivas, incluindo as sensoriais.

No que concerne à "natureza da inteligência" propriamente dita, e tendo por referencial básico os aspectos mais recentes da investigação científica, destacam-se duas linhas fundamentais: a psicotécnica e a psicológica. A primeira debruça-se sobre o estudo da inteligência pelo cálculo factorial e pela inteligência medida pelos testes; na segunda linha, encontramos a "escola funcional", que descreve o conceito como mecanismo de adaptação ao meio, e a "escola gestaltista" que tenta explicá-lo em termos do conceito de "organização".

Não obstante o conceito de "inteligência" ainda permanecer basicamente indefinido, entendemo-lo, grosso modo, como o "poder" ou a "força" do raciocínio; como a "energia" ou a "capacidade de resolver problemas" 1. Segundo esta perspectiva, consideramos que a inteligência integra, pelo menos, três componentes fundamentais:

a) a capacidade de adquirir e acumular experiências, a qual comporta a aptidão que permite compreender as relações entre os elementos de uma mesma situação;

b) o modo de aplicar útil e racionalmente as experiências adquiridas e retidas na memória;

c) a capacidade de adaptação às múltiplas situações emergentes e aos respectivos elementos, de molde a realizar os próprios fins determinados e a resolver os eventuais problemas que se oponham à obtenção desses mesmos fins.

A inteligência é integrada por duas funções essenciais: uma adaptadora e inovadora; outra ordenadora e reguladora. Assim concebemos a «inteligência como um dinamismo psíquico ordenado a conhecer a consciência do mundo, a criar um comportamento universal e individual e a influir na consciência do mundo». A explicação mais detalhada desde dinamismo essencial à vivência e à sobrevivência de todo o ser humano, indica-nos que as suas funções associadas encontra-se:

a) na aquisição de experiências, entre as quais se destaca a atenção, a capacidade de retenção, a distinção e o treino;

b) na ordenação das experiências, onde encontramos mecanismos como a combinação e a crítica;

c) na conservação das experiências, onde se destaca a memória;

d) na aplicação das experiências, face à qual são accionados os mecanismos de reconhecimento de situações, o juízo, a aplicação do processo adequado e o sentido comum.

Digamos que a inteligência se apresenta – partindo-se de uma tentativa de conjugação dialéctica das múltiplas e quiçá paradoxais teses sobre este conceito, cuja cabal definição continua a escapar aos maiores especialistas neste domínio – como «o conjunto de todas as funções que têm por objecto o conhecimento, ou seja, a sensação, a associação, a memória, a imaginação, o entendimento, a razão e a consciência» 2.

Para ler o conteúdo desta excelente conferência na íntegra, clique no arquivo abaixo:



COMUNICACAO_INTERPESSOAL_E_MULTIMEDIA_ARTIGO.doc


(formato MS Word - 83 KB)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

A estética como porta de entrada para o ensino de filosofia

A estética como porta de entrada para o ensino de filosofia

A estética, proposta neste trabalho como pórtico para o ensino de filosofia, é a reflexão sobre as diversas formas do belo. O vocábulo grego aisthetiké refere-se a tudo aquilo que pode ser percebido pelos sentidos. Significa experiência, conhecimento sensorial, sensibilidade.

A arte precede as doutrinas, os sistemas e as teorias elaborados sobre ela. A estética supõe a arte, e como parte da filosofia, torna-se realidade apenas no século XVIII. Quem utilizou o termo estética pela primeira vez foi o alemão Alexander Baumgarten (1714-1762) por volta de 1750. Ele o utilizou no sentido de teoria do belo e das suas manifestações através da arte.

Mas, o que é estética? Croce, no início do século XX, define a estética como A ciência da arte que... não tem por função, como se pensa em algumas concepções escolares, definir a arte uma vez por todas e tecer sua trama conceitual de forma a cobrir todo o campo dessa ciência; ela é apenas a reorganização permanente, sempre renovada e cada vez mais rigorosa dos problemas aos quais, segundo as diferentes épocas, dá lugar à reflexão sobre a arte, e ela coincide perfeitamente com a solução das dificuldades e dos erros que estimulam e enriquecem o progresso incessante do pensamento. 1

A história da estética é a da sua busca incessante pela autonomia. A arte parece ter existido em todos os tempos e em todos os lugares, desde as mais remotas eras conhecidas pelo homem. Então, indaga-se por que a estética, como reflexão autônoma sobre a arte, só aparece no século XVIII? Como explicar o seu surgimento tão tardio? É importante observar que uma das causas dessa autonomia tardia pode ser porque econômica e politicamente os artistas só se libertaram das tutelas religiosas, monárquicas e aristocráticas também tardiamente. O próprio artista liberta-se também tardiamente da sua condição de artesão dependente, ora do príncipe, ora do religioso ou mesmo de sua corporação. Por muito tempo o ofício do artista é considerado apenas uma atividade prática, manual, em oposição às atividades intelectuais. É longo o caminho e a luta dos artistas para se libertarem das artes mecânicas para que sua atividade seja reconhecida como arte liberal. Só por volta do século XV é que os artistas, na sua maioria, passam a assinar suas obras. Em compensação conta-se que quando um pincel escapa das mãos de Tiziano, é o imperador Carlos V que se abaixa para pegá-lo. A estética só pode nascer depois de o sujeito, a partir de Descartes, afirmar-se como dono de suas representações, fazendo a passagem da fé para a razão. Na verdade, trata-se de uma nova profissão de fé, a fé na razão. Essa passagem da tutela para a liberdade e do anonimato para o reconhecimento não se dá como por milagre, e nem acontece de forma absoluta. É preciso lembrar que a partir do renascimento, se o artista começa a se libertar dos seus patrocinadores, ele passa a depender do mercado e do marchand, quando o valor de troca, pelo comércio, começa a prevalecer sobre o valor de uso da obra de arte, e a crítica passa a exercer o controle. Estabelece-se, portanto, mais a autonomia da crítica que, por sua vez, realiza-se na dependência das condições materiais dadas historicamente. O cliente passa a exercer o papel que era dos empregadores, pela mediação do marchand 2. A estética, por sua vez, como reflexão, pode auxiliar o homem na luta pela emancipação em relação às tutelas da teologia, da metafísica e da moral, assim como das tutelas social e política. Pode-se dizer, portanto, que há uma relação dialética em direção à emancipação por parte da arte e da sociedade.

A arte pode ser também "catequese". O papa Gregório Magno, na segunda metade do século VI, afirmou que a pintura podia servir ao analfabeto tanto quanto a Escritura servia a aqueles que sabiam ler 3. Portanto as pinturas deveriam apresentar as mensagens bíblicas e teológicas da maneira mais simples e clara possível.

A arte tão condicionada pela magia, pela religião ou pela política, trilha um longo caminho em direção a sua emancipação, assim como a estética faz o mesmo caminho. No século XVI os vínculos que uniam a ciência e a arte num conhecimento homogêneo diminuem. A idéia de autonomia da arte começa a sugerir que ela é também independente da ciência e do saber. Para Jimenez, várias condições são necessárias para que a estética se imponha como um domínio de reflexão específica. Nenhuma "estética filosófica" poderia ter nascido sem a constituição das idéias de criação autônoma e de sujeito criador. Era preciso também definir as relações entre a razão e a sensibilidade, meditar sobre o gosto, sobre a experiência individual e esforçar-se por determinar o papel da razão no domínio específico da arte, distinto da ciência e da moral. No interior desta esfera estética autônoma, o julgamento do gosto, individual, subjetivo, pode ser exercido livremente sem ter de justificar-se junto a instâncias "superiores", como a teologia, a metafísica, a ciência ou a ética. Pelo menos, em princípio.

Michelangelo Buonarroti, cognominado "O Divino", é o primeiro exemplo do artista moderno, solitário, dominado por um impulso próprio que não admite interferências na sua produção artística, nem mesmo de seus contratantes, sejam eles, príncipes ou papas.

A conquista da autonomia da estética que começa a se consolidar no século XVIII, inscreve-se no movimento mais geral de libertação em relação à ordem antiga. O século XVIII é o século da afirmação do indivíduo como sujeito, das declarações e da consciência dos seus direitos. A autonomia plena, real e completa nunca se realizou nem se realizará porque a arte, além de ser um produto datado e, portanto, histórico, acabará sempre "servindo a outros senhores", como o rei, o cardeal, o revolucionário ou o mercado. E, principalmente, porque a autonomia do sujeito também nunca se realizou. Mesmo assim, a modernidade conhece alguma autonomia que torna possível, inclusive, Art pour l'art. É importante observar que a autonomia da estética caminha junto e reforça também a autonomia de uma reflexão crítica, seja em relação à arte, à sociedade e à política. Estética, ética e política fazem parte da mesma formação filosófica. A educação pela beleza, que permite ultrapassar o estado sensível e subir ao estado estético permite chegar ao estado político, questionando até mesmo a dominação, num impulso para a autonomia do cidadão. A experiência do belo é fundamental por desenvolver a capacidade de relativizar as estruturas e dinâmicas de dominação econômica, social e política. O acesso às obras de arte e à crítica da estética permitem, por exemplo, na sociedade contemporânea o olhar crítico e o questionamento da metástase do mesmo, tanto nas imposições comerciais da cultura mediatizada, quanto na "repetição" das mesmas formas de dominação de micro ou macro poderes. Diante dos horários gratuitos de propaganda política no rádio e na televisão, aquele que teve uma sólida formação estética, pode sentir-se, talvez, o personagem da litografia O Grito de Edvard Munch (1895), que manifesta uma emoção que transforma toda a fisionomia, demonstrando que algo de terrível está acontecendo ou para acontecer.

As obras de arte servem à filosofia por se constituírem, segundo Benjamin, em condensações de experiências passadas capazes de iluminar o futuro se conseguirmos decifrar sua significação simbólica e alegórica 4.

Para Adorno, a arte somente pode revestir-se de um sentido na negação do mundo presente: é a sua estética negativa. Para ele, Auschwitz demonstra que a cultura ocidental não conseguiu impedir a barbárie, prevenir o inominável. Será possível compor um poema após tamanha decadência do ser humano? Mas, o que resta de bom no ser humano não pode abdicar facilmente diante da barbárie. Nos dias em que escrevo estas linhas, a barbárie age nas ruas do centro de São Paulo, eliminando mendigos, "limpando" as ruas de todo o diferente que as enfeia. Ao pensar na reação de Munch diante da decadência e das misérias humanas, ao dar o seu Grito, mais surpreso ainda fico ao ler no jornal do dia que uma das versões de sua obra O Grito acaba de ser roubada do museu Munch, em Oslo, na Noruega.

A filosofia que não abdica diante da barbárie, faz coro com a arte para combatê-la e, se possível, destruí-la. A filosofia pode exumar as obras de arte e, em especial, a pintura das salas e corredores frios de museus e galerias para torná-las instrumentos de provocação do pensamento crítico sobre o homem e o seu mundo.

De Bruegel a Sêneca: arte e ensino de filosofia
Após uma leitura da história da arte e um estudo sobre alguns artistas, pareceu-nos que a obra de Pieter Bruegel poderia servir como um exemplo do potencial pedagógico da pintura para o ensino e a aprendizagem da filosofia. Algumas obras desse artista dos Países Baixos, do século XVI, levam à reflexão sobre os princípios da filosofia estóica. Para fazer um diálogo com Bruegel, optamos pelos textos de Sêneca, por ser um dos grandes representantes do estoicismo, e pela maior facilidade de acesso à sua obra.

Para ler o conteúdo desta excelente conferência na íntegra, clique no arquivo abaixo:

Artes e Ensino de Filosofia.doc
(formato MS Word - 214 KB)

1 Croce citado por Marc Jimenez, 294-295.
2 O primeiro marchand de belas artes de que se tem notícia é o florentino Giovanni Battista della Palla, no começo do século XVI.
3 Estrabão já dissera: Pictura est quaedam litteratura illiterato... Pictura et ornamenta in ecclesia sunt laicorum lectiones et scripturae. Cfr. Hauser, 129.

4 In Marc Jimenez, O que é estética?, 335.